07/03/2011

[Resenha] O Preço da Imortalidade


Uma revolta de camponeses nas terras do nobre inescrupuloso Truman em 1213 termina sem vencedores. Três dias depois da luta, William Brenauder acorda preso numa masmorra escura e úmida. Um jovem camponês de apenas 16 anos descobre que escapou da morte ao se transformar na temida criatura condenada a sugar eternamente o sangue dos homens. Seu lar não existe mais, toda a sua família foi morta por um vampiro e todos os acontecimento do dia da revolta foram apagados da mente do jovem. Arrastado para um novo mundo onde os fracos sucumbem e a justiça na existe, William descobrirá que intrigas, inveja e orgulho ditam as leis dos imortais.
Mas agora o secular jogo de poder entre os vampiros está prestes a mudar. Dividido entre o desejo de vingança contra o desconhecido assassino de sua família e o medo de perder o que resta de sua humanidade, o camponês terá que trilhar uma linha perigosa entre o bem e o mal. Seu lado mais negro está cada vez mais perto de assumir o controle e a chave do mistério está nas suas memórias perdidas. O tempo está correndo contra ele e, mais cedo ou mais tarde, o jovem descobrirá que na vida ou na morte, a imortalidade tem seu preço.


Uma nova realidade aguarda William depois de escapar da morte. Este jovem de apenas 16 anos viverá coisas que outros sequer imaginam serem possíveis. Ele lida com o peso da culpa e o medo do pecado, além de ter que suportar a dor de perder todos que ama.

Nenhuma resposta, a não ser o som do próprio eco. Sentou desolado. Ficou ali parado, pensando em algum motivo para estar naquela prisão. Lembrou-se de sua família. Será que estariam bem? Tinham que estar! Precisava de respostas! Se era um prisioneiro de guerra por que só tinha ele na masmorra?

Depois de se tornar pupilo de um vampiro frio e sem sentimentos, William passa a aprender mais sobre seu novo eu porém nem aguarda que a sociedade vampírica, liderada por Lam Sahur, o condenasse, por crimes que não cometeu, a passar meses isolado na Floresta das Trevas.

Nem a luz do sol conseguia adentrar a densa copa das árvores. Uma neblina sobrenatural ocultava os perigos do lugar. Diziam que era a barreira entre o mundo terreno e o mundo das Trevas. Ninguém gostava de mencionar esse nome. Dizia a lenda que, cada vez que esse nome era pronunciado, um demônio despertava e vinha atormentar o homem que invocara o nome maldito.

Diferente de muitos dos livros de atualmente, este não se trata de um romance proibido entre humanos e vampiros. Não, quem pegar este livro para ler vai encontrar montes de batalhas épicas onde, sem o uso de poderes magníficos e exagerados, os vampiros lutam entre si, se utilizando de espadas ou de sua velocidade e força vampíricas numa luta corpo-a-corpo.
Achei interessante o fato de o autor querer inovar, mostrando na Era Medieval a origem dos vampiros, como eles adquiriram os poderes e tudo mais, ao invés de mostrá-los num tempo atual, convivendo entre os humanos ocupados desta época.
Mais incrível é o mundo que o autor constroi. Não lidamos apenas com vampiros, mas também com lobisomens, fadas, magos... Todos com uma composição única e no mínimo inédita para alguns.

Um mundo povoado por seres das trevas, onde o demônio não tinha medo de se revelar. Algumas criaturas tão terríveis que seus nomes, de tão temidos, foram esquecidos. Nomes cuja simples menção arrepiava o mais bravo dos cavaleiros. Bruxas, necromantes, fadas, demônios, magos, fantasmas, espíritos da floresta, lobisomens e vampiros. Sim, seres das trevas andavam livremente pelo mundo, levando terror aos povoados por onde passavam.

Durante todo o livro temos lutas emocionantes muito bem descritas que fazem com que achemos que estamos lá, entre eles, correndo o risco de levar um soco super-potente a qualquer momento.
A riqueza de minúsculos detalhes dos quais não nos damos conta, como o linguajar medieval, o machismo, a falta de higiene... tudo nos transporta para dentro do livro e fazem com que, sem nem perceber, nos peguemos interagindo com diversas passagens do livro. Outro ponto forte é a sutileza com a qual o protagonista vai mudando sua personalidade e nem ao menos nos damos conta.
O final é surpreendentemente bom! A adrenalina vai a mil de um jeito que não dá parar. Quando comecei o livro pensei que já sabia o final. Não podia estar mais enganada! Encontrei reviravoltas mil neste livro maravilhoso e o melhor é todas as pontas são muito bem amarradas, não deixando nenhuma chance para duvidas ao final da história. É impossível não se encantar com O Preço da Imortalidade (Editora Novo Século, 544 páginas).
Uma passagem que eu adorei:

-- É a nossa natureza. Somos todos predadores, os mais perfeitos instrumentos da morte, e o sangue humano é o nosso alimento. Não vejo ninguém chorar porque comeu. Responde-me: quando tu eras um simplório mortal, tu choravas por ter matado um porco ou uma galinha? É a mesma coisa. Não tem porque sofrer por causa disso.
-- Eles não são porcos nem galinhas. São homens, feitos à imagem e semelhança de Deus, e vosmecê não os matou para se alimentar. Vosmecê mata por prazer.