18/04/2011

[Resenha] Chantilly


Um diário foi escrito. Catherine Aragon, numa atitude desesperada, escreve suas recordações em busca de socorro. Somente dez anos depois suas palavras foram ouvidas por um renomado cientista. Ethan Stuart, um homem com pouco carisma, toma as rédeas da situação para tentar ajudá-la.
Ele contará com a ajuda de personagens suspeitos: o exótico Leon Saiter, um alcoólatra sem muita perspectiva que arriscará a própria vida para obter êxito na resolução do caso e a interessante Anabelle, que vive um dilema dentro de si onde questionará suas verdades e seus valores.
A tríade investigadora conclui a soma dos catetos, tornando Chantilly um dos desafios mais intrigantes do seu viver.
Mergulhe nesta aventura, em um ambiente noir, repleta de mistérios a serem desvendados numa cidade onde as pessoas perderam as lembranças.


Chantilly e Avilly são duas pequenas cidades no interior da França que estão passando por momentos de desespero. Estamos no ano de 2020 e Catherine Aragon escreve em seu diário, numa última tentativa de se lembrar. Uma epidemia se alastrou por essas cidades, fazendo com que as pessoas perdessem suas memórias, se esquecendo de quem são.
Apenas dez anos depois o chamado de Catherine é atendido. Encontrado por Ethan Stuart, um renomado cientista totalmente introvertido, o diário de Catherine serve como base para seus novos estudos: o que ocasionou a epidemia. Juntamente com Leon Saiter, antigo morador de Chantilly que também foi afetado, eles buscam entender o porque de tudo ter acontecido.
Já tem um tempo que estou tentando fazer essa resenha. Não sei o que aconteceu, só não tenho palavras pra expressar o que senti ao ler Chantilly. Tenho tentado encontrar uma forma de dizer isso, mas é complicado... bem, adorei a idéia da autora. Toda essa coisa de pessoas perdendo a memória, o mistério por trás de tudo isso, as revelações que vão ocorrendo...
Poucas personagens nos são apresentadas durante a trama. Além de Catherine e Ethan, conhecemos Leon Saiter, Annabelle e Adrien, este último com menor destaque. O livro é dividido de acordo com os meses do ano (exceto a primeira parte, que é o diário, escrito entre outubro e novembro de 2020): de janeiro de 2030 à janeiro de 2031. Eu, particularmente, não gostei muito dessa divisão. Achei que prejudica um pouco a continuidade da história, como se o fim de cada capítulo fosse uma interrupção antes de dar início ao próximo.
O suspense foi bem trabalhado, algumas respostas importantes nos são apresentadas e temos informações que os protagonistas não têm. Gostei do fato de a narrativa, em 3ª pessoa, mostrar os pontos de vista de personagens diferentes, nos dando uma visão mais ampla dos fatos.
A única coisa que realmente me incomodou foram as cartas. Mesmo sendo propositais, acho que elas deixaram o ritmo da história muito lento, desperdiçando muitas páginas e milhares de oportunidades. Para leitores menos pacientes, aquele seria o fim da picada. 
Enfim, é um ótimo livro, mas a autora pecou em algumas coisas, nada que seja impossível de perdoar. Também temos que considerar que é uma publicação independente, mas com muita qualidade. Apesar destes pequenos detalhes, é recomnedo a leitura de Chantilly (Publicação Independente, 147 páginas).