23/04/2011

[Resenha] Paixão, Drogas e Rock 'n' Roll


Brian Blue é vocalista e líder de uma das maiores bandas de hard rock do início dos anos 90 e Vicky, uma adolescente brasileira. Desse encontro improvável, nasce uma história de amor com todos os ingredientes dos tempos modernos. Com rara sensibilidade, Daniela Niziotek envolve o leitor ao abordar as dificuldades e concessões enfrentadas para a concretização dessa relação quando um fato trágico se interpõe, mudando para sempre a vida dos personagens.
De modo delicado e comovente, mas com aguda percepção, Daniela fala das belezas e dores humanas, trazendo à tona, em meio a uma torrente de sentimentos, os bastidores do mundo do rock. Um mundo de muito glamour, mas também de desencanto e impossibilidades extremas. Brian e Vicky vivem e sofrem os dilemas do amor e da paixão, da insensatez e da lucidez, da luta para fazer prevalecer a razão em um universo cheio de contradições.
Dessa mistura de emoções, nasce uma trama muito bem urdida que nos faz pensar sobre a essência do amor e suas nuances mais caprichosas e imprevisíveis.


Início dos anos 90. As drogas estavam em alta, assim como o Fears, uma banda de rock que é sucesso no mundo inteiro. É um tempo onde não existem preocupações nem mesmo precauções rígidas com as DST's (doenças sexualmente transmissíveis). Brian Blue não é uma exceção ao padrão: consume drogas antes, durante e depois de todos os shows, é agressivo, fica bêbado constantemente. Já Vicky é uma adolescente brasileira viciada em MPB. Se mudou a pouco com o objetivo de cursar Filosofia, sua grande paixão. O curso natural de suas vidas é alterado quando, inexplicavelmente, se encontram no hotel onde ambos estavam hospedados. Bastou um olhar.
Esse livro é um dos muitos "Voo perfeito, pouso desastroso" por aí. A história é incrível. A autora é muito talentosa e conseguiu, com facilidade, fazer com que as ações de Vicky se assemelhassem a de uma verdadeira adolescente com seu jeitinho teimoso e apaixonado. Adorei o modo como a história estava sendo desenvolvida. A narrativa da autora é rápida e eficiente, não permitindo uma distração sequer por parte do leitor. Mas, com o decorrer da história, a autora nos dá uma ótima idéia do que irá acontecer no final e, sem aviso algum, não sei como nem porque, ela parece desistir daquilo que pretendia fazer. Acho que ela tentou surpreender os leitores. Bem, conseguiu, mas não satisfez, sinceramente. Caso ela não tivesse já plantado aquele rumor em nossa cabeça o final que ela fez até que seria razoável, mas foi decepcionante esperar por uma coisa e encontrar outra.
Ainda assim, eu recomendo Paixão, Drogas e Rock 'n' Roll (Maquinária Editora, 192 páginas) para maiores de 16 anos devido à linguagem pesada utilizada.