23/06/2011

[Resenha] O Reverso da Moeda


Três gerações e um desejo. Sonhos realizados com o poder da palavra. Pedidos impensados. Um brinquedo trazido ao mundo real. A inocência de um pequeno galeão engarrafado escondendo os seus mistérios. Piratas de madeira experimentando o gosto da vida pela primeira vez, e a tornando amarga para centenas de pessoas. Na mente um só objetivo: apoderar-se de dois valiosos tesouros. Para isso, não mediram esforços e foram capazes de mentir, roubar, trair... e até mesmo matar. Eles só não sabiam que esse era o limite do intolerável para uma velha bruxa, que com seus poderes mágicos lhes tirou a vida, tornando-os novamente brinquedos, apenas, brinquedos. Com eles, foram engarrafadas mágoas, dúvidas e muito sofrimento. Tudo duramente adormecido, mas só até uma criança de dez anos de idade encontrar esse antigos brinquedo de seu avô. Ele só não imaginava que as águas do mar eram o segredo da vida dos piratas, muito menos que ali ele começaria a descobrir a verdade sobre a morte de seu pai. Ingenuamente, trouxe de volta à sua cidade guerras, armações, intrigas e muita, muita aventura. Mas nela, ele não estará sozinho e os piratas não serão os únicos brinquedos. Fada, bailarina, índio e outros tanto estarão unidos a ele para acabarem, de uma vez por todas, com os piratas de Coroinha.
Numa mistura de fantasia e aventura, brinquedos com vida e piratas, Giovanna nos prende à história, atiçando nossa curiosidade com flashbacks dos acontecimentos, descobertas cada vez mais aterradoras e uma trama única, apesar de não tão original.
A narrativa é clara e objetiva. A autora não faz esforço para fazer volume com descrições infindáveis e tediosas. Com uma habilidade inacreditável ela descreve com perfeição e detalhadamente os lugares e pessoas de um modo rápido e eficiente.
Confesso que tenho um prazer especial ao ler livros com o estilo de escrita narrador-personagem. Gosto de poder saber exatamente como o personagem está se sentindo, saber seu modo de pensar... Em O Reverso da Moeda (Editora Novo Século, 238 páginas), Giovanna usa o narrador-observador e eu nunca achei a escolha tão acertada. Isso fez com que ela pudesse ser mais dinâmica e não nos prendeu aos acontecimentos que Iago vivencia. Acompanhamos de perto as aventura de cada personagem de um modo que não tinha visto antes. É incrível.
Quanto aos personagens, posso resumi-los em uma palavra: cativantes. Num primeiro momento não chamam muita atenção mas com o desenrolar da história eles nos conquistam. Iago é um garoto muito inteligente e chama a atenção onde quer que esteja por sua curiosidade extremamente aguçada. Só acho que ter um personagem principal de apenas 10 anos tornou a história um pouco mais infantil e acredito não ser esse o objetivo da autora.
A capa é um ponto a destacar. Com uma belissima ilustração de Reinaldo Feurhuber, tem um jogo de cores chamativo. O título do livro causa curiosidade e creio que se refira ao lado ruim de desejos e sonhos impensado se tornarem realidade.
O trabalho da Novo Século foi fantástico. Quem lê a sinopse nas costas do livro não resiste a seus encantos. Achei interessante também o fato de que os erros de digitação são pouquissimos se comparados com o padrão dos livros nacionais de atualmente. Meus parabéns aos revisores! Só tenho a reclamar do fato que só fui saber deste grande talentos brasileiro que é a Giovanna três anos após o lançamento de seu livro.
É uma ótima leitura recomendada à todos que curtem uma boa aventura cheia de intrigas, mentira e traições.

"Com cuidado levantou as duas mãos até o centro da porta e, colocando cada uma delas em uma de suas partes as empurrou para trás. Não demorou para que, lentamente, elas se abrissem. O rangido foi inevitável, assim como o medo de todos."