24/07/2011

[Resenha] Pacto Secreto


Três regras haviam sido reveladas à Valentina. Mas, ela não sabia se existiriam outras regras que teriam sido ocultadas. Tinha certo em seu coração que precisava ter seu pedido atendido. Era o que havia de mais importante. Precisava decidir se assinaria ou não o pacto. É a pergunta que não se cala.
Será que Valentina deveria assinar o pacto sem ter certeza do que estava em jogo? O que realmente assumiria, se assinasse?
E você, assinaria o pacto? Em troca, teria o que pedisse. Poderia ser qualquer coisa...


Valentina convive com o peso de se sentir culpada pelo acidente que comprometeu os movimentos de sua irmã gêmea, Sara. Depois de inúmeras tentativas frustradas de pedir ajuda a Deus ela clama, num momento de total desespero, para que qualque um viesse a seu socorro. Qualquer um mesmo que fosse o diabo.
Pouco tempo depois, enquanto Carol e sua amigas tentam fazê-la retornar à vida normal, um cara misterioso, alto, bonito e charmoso chama sua atenção. Seu pedido estava sendo atendido.

"Naqueles instantes, parecia em transe. {...} seus olhos possuiam algum encanto mágico, pois consegui esquecer que ele era um enviado do diabo, que meu pai havia falecido e também consegui até me esquecer do acidente, da minha grande culpa, da minha devastadora dor e das minha súplicas desesperadas por ajuda.
{...} O fato de ele me fazer esquecer das minhas dores ou ao menos não lembrar delas era estranho demais, sombrio certamente."

Como uma boa mulher de negócios, Valentina procura saber tudo que estaria colocando em jogo. Ela teria o que quisesse e em troca faria o que fosse pedido pelo diabo. Valentina fica com muitas dúvidas, não tem certeza do que estaria arriscando e não tem ideia do complô que foi armado para alicia-la. Aos poucos ela se vê cercada por enviados e sente que não há ninguém a sua volta que ela possa realmente confiar.

"Mas será que realmente tudo era coisa do diabo? Será que o diabo era um bode expiátorio para o homem jogar suas fraquezas? Será que o homem só queria culpar alguém por suas próprias maldades? Será que era justo eu culpar o diabo pela minha própria vaidade? {...} Eu era má? Eu fui inspirada pelo diabo? Eu era a própria besta? A única culpada? Eu merecia ir para o inferno?"
O que achei mais surpeendente nesse livro foi a forma como a autora faz a protagonista amadurecer sem que o leitor perceba. No começo do livro, Tina é insegura, cheia de dúvidas e não sabe o que quer. Esse jeito dela até me irritou. Pensei que seria apenas mais uma 'mocinha em perigo' que precisava ser salva a todo momento para não acabar com a sua vida e prejudicar a sua família.
Bem, eu não cheguei nem perto.
Valentina se mostra uma verdadeira femme fatale, buscando informações secretas, confrontando o enviado, enganando e manipulando a todos os que pensavam que estavam no controle. Ela é uma mulher corajosa, que não tem medo do desconhecido e que faria de tudo para o bem-estar de sua família. Adorei isso.
E não é só a nossa personagem que é corajosa. Eliane Quintella, a autora, também o é. Para escrever um livro sobre pactos demoniacos num país onde mais de 73% da população é católica tem que ter muita coragem. E quando digo muita, digo muita mesmo!
Mas, como sempre, nem tudo é perfeito. A narrativa é muito explicativa e isso acaba fazendo com que se torne prolixa em alguns momentos. Para alguns leitores menos habituados a narrativa repetitiva pode se tornar um incômodo. Contudo, devemos considerar que é seu livro de estréia. Eliane tem uma mente criativa e tem capacidade para melhorar cada vez mais porém ainda tem muito o que aprender.

Será que aos olhos de Deus os fins justificavam so meios?