25/07/2011

[Resenha] Hathor


John McBrian é aluno em uma renomada faculdade de Cambridge. Entretanto, sua vida pacata de estudante está prestes a mudar. O que a princípio parecia apenas um trabalho de escola coloca o jovem inglês em extremo perigo. Um mistério intrigante, fenômenos inexplicáveis e mensagens criptografadas levam John a cruzar o oceano, onde seu destino o aguarda.

Vou começar essa resenha com uma pergunta, que sinceramente, não espero que nenhum de vocês responda. Porque é tão difícil resenhar livros que gostamos? Na verdade, essa chega ser uma pergunta retórica. Vocês vão olhar pra ela aqui e vão revirar os olhos, pensando que eu sou uma boba e deveria ir direto ao assunto. Até concordo em certa parte, por isso vou pular a parte melodramática.
John McBrian é um estudante de Engenharia na universidade inglesa King's College. Vive uma vida tranquila, cujas maiores preocupações são os extensos e árduos trabalhos que seu professor de história, Sir Oliver, passa sem piedade.
Mal sabia ele que tudo estava prestes a mudar quando, como já esperado, ele recebe um enorme trabalho sobre a Guerra das Rosas para fazer. Junto com seu amigo William ele passa a tarde na biblioteca, transcrevendo minuciosamente textos e mais textos para o exigente professor.
E é graças a um livro, escondido entre milhares de outros, que sua vida vira de cabeça para baixo. Quando, dentro de duas páginas coladas propositalmente, eles encontram um desenho e uma mensagem criptografada. Eles tinhas nas mãos o mapa do maior tesouro de todos. Será que John, William e Sir Oliver decifrarão o enigma? Será que encontrarão o tão valioso tesouro?
Markus Thayer tem uma narrativa agradável, gostosa de ler e que instiga a curiosidade no leitor. Apesar da formalidade e da linguagem clássica presente nos diálogos devido a época em que a história se passa, o livro flui normalmente já que estes são muito bem-feitos.
Achei interessante a mistura dos gêneros literários. Afinal, não é qualquer um que consegue colocar passado e futuro num livro e se sair bem. São gêneros antagonistas, mas que nas palavras deste autor conseguiram ficar em harmonia plena, de um modo que o leitor não consegue se desprender do lugar incrível que é Hathor. Este mundo inimaginável mexe com a gente, agrandando a todos os gostos.
O modo como ele explica aquelas tecnologias, tudo com uma base científica, tudo com uma explicação plausível... É simplesmente incrível. E mesmo assim, Hathor (Editora Novo Século, 349 páginas) não chega a ser um livro complexo. É um livro inteligente.
Os seus personagens tem características variadas e personalidades únicas. Não ficamos presos apenas à história principal, a busca ao tesouro. Também vemos um pouco das aventuras pessoais de alguns personagens que apesar de parecerem coadjuvantes são peças fundamentais na história. Não consigo imaginar o livro sem o Yuri, ou o Steve, ou o... Enfim, cada personagem conquistou o seu lugar se tornou importante ao seu modo.
Bom, como já sabemos, não posso contar o grande segredo. Mas eu fiquei de queixo caído quando percebi que as respostas estavam bem debaixo do meu nariz o tempo todo e eu não percebi. A capa num primeiro momento parece linda. Num segundo momento também, mas o fato é que ela é super reveladora. Só depois de ler todo o livro e de desvendar todos os mistérios é que vocês vão entender do que eu estou falando!
O que não me agradou foi a facilidade com que tudo foi resolvido. Um grupo de bandidos perigosos se tornaram mocinhos em questão de parágrafos sem nenhum motivo aparente. Pessoas do século XIX, com uma tecnologia no nível do básico, se acostumaram num piscar de olhos com todas as coisas surreais e absurdas que viam. Todo mundo acha sua alma gêmea... E por falar nisso, também achei que os sentimentos entre os casais foi muito superfluo. Não foi aquela coisa sólida, que se transmite ao leitor.
Ainda assim recomendo o livro para todos os amantes da literatura. Sinceramente, acho que todos deveriam ler este grande livro para tirarem suas próprias conclusões. Só lhes adianto que Markus Thayer é, sem sombra de dúvida, um dos maiores talentos do nosso Brasil.