29/07/2011

[Resenha] Segunda Dose


Detentor de uma vida desregrada, baseada na mistura whisky-cerveja-vinho, Renato Duarte ia passando os dias como se estivesse no piloto automático. Sua pacata rotina só é ameaçada quando conhece Júlia – uma mulher irremediavelmente perfeita.
Ao envolver-se precocemente com outra mulher, contudo, sua vida toma um rumo inesperado, de modo que o responsável pelo RH de uma das maiores empresas do país se vê ilhado em um mar de dúvidas e decepções.
Numa urgência sem precedentes, precisa decidir-se entre as duas inacreditáveis mulheres que acabaram se apossando de seu coração, bem como driblar Flávia – sua inconveniente ex-esposa –, que ainda sonha em reatar os laços matrimoniais dissolvidos há alguns anos.
Precisa da dose certa. Daquela que somente o caminho complicado é capaz de apontar.


Segunda Dose (Editora Baraúna, 318 páginas) me impressionou. Bem como o autor. Sinceramente, não esperava tanto desse livro. Não nutria expectativas. Me surpreendi.
Conta a história de um homem que não vê mais razões para viver e que tem por única companhia os vários litros de álcool que toma diariamente. Renato é maduro, realizado profissionalmente, divorciado e aberto a novos amores. Bebe por prazer, mas é um romântico incansável, sempre à busca da mulher perfeita. Ele não imaginava que toda a sua vida mudaria depois que aquela mulher de beleza estonteante entrou em seu escritório buscando um emprego.
Júlia é uma personagem forte ao passo que Renato é completamente imprudente. Não se parecem em quase nenhum aspecto de suas personalidades, mas ainda assim pareciam ter sido feitos um para o outro. Porém, nem tudo é um mar de rosas. O romance não dá certo e Renato fica frustrado, descontando todos os seus sentimentos negativos na bebida, crente de ela lhe traria o conforto necessário para esquecer.
E até deu certo. Num primeiro momento.

Renato adorava beber. Sentia uma sensação agradável, diferente de qualquer outra coisa que já experimentara. Não se considerava um alcoólatra, mas adorava deliciar-se com os mais variados tipos de bebidas, principalmente cerveja e vinho. Gostava de sentir-se aéreo, despreocupado; momentaneamente intocável pelos problemas cotidianos.
Ele já não conseguia mais conviver com os conflituosos sentimentos dentro de si. Amor, tristeza, decepção... Tudo junto para fazê-lo desabar. É aí que entra Camila. A linda loira, meiga e gentil que acabou atropelando o cara por quem se apaixonou. Meio irônico, não?
Kelvim tem uma narrativa muito simples, porém dinâmica e detalhada. Você consegue perceber a veracidade nos sentimentos do personagem Renato, consegue perceber todas aquelas dúvidas tomando conta de seu ser, as decepções trazendo à tona o pior de si mesmo e o amor que, infelizmente, ele nutria por duas pessoas completamente diferentes.
Sutilmente, o autor tenta passar ao leitor a lição de que certas coisas ruins têm que acontecer para que vejamos o caminho certo. Que o caminho certo é sempre o mais árduo, cheio de espinhos e tristezas, mas que te trará a maior recompensa no final do trajeto. Esse caminho é aquele que te levará à felicidade completa, ao mais puro sentimento de auto satisfação. Foi um livro que me fez ficar reflexiva. Me fez pensar nas escolhas que tomei. Não foram muitas e não foram as mais importantes de minha vida, mas com certeza foram elas que me trouxeram até onde estou hoje.
Queria falar para vocês hoje que estou orgulhosa. Muito orgulhosa. Nossa literatura está crescendo. A qualidade de nossos livros está crescendo. Me deparo com uma frequência cada vez maior com livros incríveis escritos por pessoas brasileiras. Finalmente o Brasil está se tornando uma nação que gosta e aprecia a leitura.
Enfim, recomendo o livro. Muito bom para quem gosta de romance, triângulos amorosos e uma dose certa de comédia e drama.