29/08/2011

[Resenha] A Grande Rainha



Em As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley reconta a lenda do rei Artur, descrevendo os seus esforços para unificar a Bretanha contra a invasão Saxônica, a partir da perspectiva das poderosas mulheres do reino de Avalon e Camelot. Mesmo aqueles que normalmente não gostam das lenda de Artur irão se encantar com as mulheres por trás do trono.
Morgana e Guinevere lutam pelo poder, usando Artur para promover suas respectivas visões de mundo. As intrigas e a política do reino de Camelot descritas em As Brumas de Avalon se passam quando o Cristianismo começa a dominar a ilha-nação da Bretanha estabelecendo o conflito com os cultos pagãos.


Atenção: essa resenha pode conter spoilers para quem não leu o volume anterior.

Neste segundo livro, Marion se foca em Gwenhwyfar, a garota infantil e cheia de medos que conquistou o coração de Lancelote, tomando-o de Morgana. Contra sua vontade, Gwen (que é como a chamarei aqui por preguiça de digitar esse nome que parece um palavrão) é oferecida ao rei Artur e se torna a Grande Rainha da Bretanha.
Mas, em seu coração de moça apaixonada, só havia lugar para Lance, o corajoso guerreiro que via nela o seu amor. E como era grande o pecado que os dois estavam cometendo! E se os padres ficassem sabendo? Mesmo que nunca tenham cometido um crime contra a fidelidade do Grande Rei, o simples fato de se desejarem era ímpio.
Pelo menos, era assim que ela pensava.
O primeiro volume dessa série me decepcionou bastante, ao passo que este me animou novamente de ler a série. A narrativa da autora melhorou muito e o livro ficou muito mais suportável. A história fica cada vez melhor com suas tramas e mistérios, consequentes da minha completa ignorância sobre a lenda do Rei Artur.
Os personagens que haviam desaparecido repentinamente no primeiro livro reapareceram dando todo o ar de sua glória e puderam ser mais trabalhados. O leitor passa a conhecer mais a personalidade de cada um, o que nos aproximou da história, fazendo com que ela se torne quase real.
Apesar de ter gostado muito do livro, me senti meio receosa durante a leitura. Está claro que a autora era a favor de algum culto do neo-paganismo e não faz esforço algum para esconder isso. Ela tenta mostrar a todos como os neo-pagãos estão certos e o cristianismo está terrivelmente errado. Mas o fato é que parece que nem ela mesma sabe do que está falando.
Ao invés de nos dar argumentos do porque que a cultura pagã é a certa ela tenta fazer com que pensemos que os cristão são um povo intolerante e que quase nunca são fiéis verdadeiramente. Marion insiste nisso e pode chegar a ser ofensivo para as pessoas desta religião.
Enfim, recomendo. Mas se você for um cristão fervoroso, garanto que vai odiar a autora até o último fio de cabelo!