22/08/2011

[Resenha] A Senhora da Magia


Em As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley reconta a lenda do rei Artur, descrevendo os seus esforços para unificar a Bretanha contra a invasão Saxônica, a partir da perceptiva das poderosas mulheres do reino de Avalon e Camelot. Mesmo aqueles que normalmente não gostam das lendas de Artur irão se encantar com as mulheres por trás do trono. Morgana e Guinevere lutam pelo poder, usando Artur para promover as suas respectivas visões de mundo. As intrigas e a politica do reino de Camelot descritas em As Brumas de Avalon se passam quando o Cristianismo começa a dominar a ilha-nação da Bretanha estabelecendo o conflito com os cultos pagãos.

Não sei nada sobre a lenda do Rei Artur e sintam-se à vontade para acusar minha ignorância. Nunca me interessei muito por este tipo de literatura e só pedi os livros de presente por que achei curioso o fato dele ser narrado sob um ponto de vista feminino.
Nesse primeiro volume, Bradley conta a vida de Igraine, mãe de Arthur. Uma jovem nascida em Avalon, criada na fé pagã e que é dada em casamento a Gorlois, Duque da Cornualha. Desse casamento, nasce Morgana, minha personagem favorita e quem narra a maior parte da história.
Pouco tempo depois do nascimento de Morgana, Igraine é obrigada por sua irmã Viviane, senhora de Avalon, a se envolver com Uther, o Grande Rei da Bretanha, por quem acaba se apaixonando verdadeiramente. Dessa união nasce Arthur, o filho que segundo as crenças de Viviane e Merlin, salvará a Bretanha dos saxões.
Morgana e Arthur são criados separados. Ela em Avalon ao lado de sua tia Viviane e ele por um amigo pessoal do Grande Rei Uther, voltando a se encontrar somente muito tempo depois, durante um ritual da fé pagã que mudará a vida de ambos para sempre.
Igraine, apesar de supostamente ser o tema do livro, não tem uma participação muito grande. No início, ela é uma típica mulher da época, que foi oferecida em casamento muito cedo e que apenas se afunda em angústias fiando e tecendo enquanto o marido está fora, arriscando seu pescoço pela paz na Bretanha. Num primeiro momento, me pareceu uma mulher forte e decidida, que não quer se levar pela opinião dos outros e que pretende seguir apenas o que pensa ser certo. Mas com o passar do tempo, ela acaba perdendo essa personalidade forte e se torna uma mera coadjuvante, completamente sem importância na história. Me arrisco a dizer que se tornou uma personagem chata.
Já Morgana é diferente. Ela é complexa, é misteriosa. Tem o dom da Visão e por isso se torna uma mulher atormentada por previsões, às vezes indesejadas, do futuro. Não conhece do amor, nem de seus intrincados mistérios, apenas se importa com o que a deusa quer dela. O incrível é ver as transformações nessa personagem. O modo como ela passa de uma marionete nas mão de sua tia à dona de seu próprio destino.
Marion conseguiu construir uma diversidade muito grande de personagens bons, mas acabou que foi demais para ela. Alguns personagens acabam ficando meio esquecidos na história e, como aconteceu comigo, repentinamente você está se perguntando onde é que foi parar tal pessoa.
Mas enfim, é uma história boa. A ideia foi incrível, a maioria dos personagens são cativantes, Avalon é um lugar surreal que deixa qualquer um babando... Só a narrativa que deixou a desejar. Achei muito cansativa, tanto que custei a terminar a leitura. Só não desanimei graças às resenha do Skoob que disseram que vai melhorar nos próximos volumes... x)
Recomendo, mas não esperem descrições de campos de batalhas, lutas sangrentas nem muita ação neste livro! Caso queira algo assim, leiam os livros do Bernand Cornwell, não irão se arrepender!

Abraços da blogueira!