26/08/2011

[Resenha] Centúrias


"Nem assumindo minha verdadeira natureza eu conseguia libertá-lo. E as outras bruxas não podiam se mover. Parecia que tudo estava perdido. Segurei a chave, tentando resgatar meus poderes, lutando contra o bloqueio negativo que me enredava e ameaçava a vida de Igor. Se houve um tempo em que não acreditei no amor, agora não acreditava na possibilidade de existir sem tê-lo ao meu lado. Havia muito em jogo. A ordem centuriana; a vida das criaturas claras; meu sol. Por isso, eu precisava reagir. Já havíamos passado por tantas coisas e não seria justo que após tantos desencontros fôssemos separados novamente. Repassei os ensinamentos da feiticeira-anciã. A resposta, ela dizia, está dentro de nós. É preciso acreditar na magia. Foi então que percebi: eu não lutava apenas contra os meus inimigos. Lutava contra o peso da realidade e de minhas próprias limitações."

Aylá está de mudança. De novo. Devido ao talento único e irritante de sua mãe - acabar com relacionamentos em menos de 24 meses - ela nunca conseguiu se manter tempo suficiente em uma cidade para criar laços afetivos.
Desta vez, estão indo para Pitfal, cidade natal de sua mãe, um lugar pequeno, de poucos habitantes, que não vai com a cara da Internet e onde o arco-íris ainda é preto-e-branco.
Como vocês já devem ter percebido, Aylá não estava nem um pouco animada. Mal sabia ela que sua vida estava prestes a mudar completamente quando achou um diário antigo e descobriu grandes mistérios sobre aquela pequena cidade e sobre sua própria existência.
Já li este livro antes - inclusive, já o resenhei aqui no blog ano passado -, mas, não sei se vocês lembram, eu perdi todos os posts de 2010... E mesmo já tendo lido o livro me surpreendi. Não sei se foi porque agora minha leitura está um pouco mais crítica ou se foi porque eu esqueci do talento que a autora apresenta.
Me identifico com Aylá pela sua fissura por livros. Ela é forte, aceita novas situações e informações consideravelmente bem, sem perder a cabeça e sem se desesperar. Já Igor é um cara bonito e de poucas palavras. Encanta a todos por onde passa com seu jeito bondoso e educado. É o tipo de garoto que todas sonhamos em ter.
Os personagens secundários também são muito bem formados. Não consigo imaginar esta história sem a Tila ou a vó do Igor, que apesar de ter aparecido muito pouco, já conquistou meu respeito e carinho. Itira, Nékar e Tamy foram os responsáveis por minhas risadas. Essa bicharada sabe como irritar e divertir nossa bruxinha e os leitores.
A narrativa da Bruna é incrivel. Você se sente na pele dessa garota de longos cabelos ruivos e encantadores olhos esmeraldas, vivendo tudo aquilo, passando pela descoberta de ser uma bruxa. É tudo muito surreal e ao mesmo tempo tão bem descrito que se torna real.
Uma única coisa que me incomodou durante a leitura (comigo sempre tem um mas) foi a facilidade com que eles resolviam tudo. Em um momento estava tudo indo por água abaixo e parecia não haver solução. Dois paragrafos depois, já está todo mundo amigo ou brigando entre si, dando a oportunidade da vitória das centurianas. As explicações e resoluções vinham fácil demais e isso acabou atrapalhando o leitor de sentir aquele mistério, aquele sentimento de querer saber o que vai acontecer e como eles vão resolver aquele impasse.
Não sei se dá pra ver direito nessa imagem do começo do post, mas a capa é linda! Siplesmente perfeita, retratando um dos momentos mais mágicos do livro, quando Aylá descobre uma passagem secreta e percebe que sem seu sol, nada fazia sentido. Emocionante.
Enfim, recomendo a leitura. Apesar da diagramação meia-boca o livro é bom, tem uma história legal e personagens divertidos. É uma leitura leve para aqueles que querem concenhecer novos conceitos para a denominação bruxa e que não têm medo de serem considerados loucos ao rirem sem parar dentro de um ônibus ou metrô.