26/11/2011

[Resenha] Dom Casmurro


Capitu, Bentinho e Escobar formam o triângulo amoroso mais conhecido da literatura nacional -- com a condição de que acreditemos no narrador de um dos mais polêmicos romances brasileiros. Quem conta a história de Dom Casmurro é o próprio Bento Santiago, agora um senhor maduro que relembra a infância passada no bairro cariosa de Matacavalos, quando conheceu o amor de sua vida: Capitu. Com a ironia que lhe é característica, Machado revolucionou o romance de amor, deixando para os leitores um dos grandes enigmas da nossa cultura: afinal, Capitu traiu ou não traiu?

Neste romance clássico de Machado de Assis, conhecemos a história de Bento Santiago, já um homem maduro, que deseja relembrar os tempos antigos, com o objetivo de tentar recuperar um pouco da sua juventude.

“Se só me faltassem os outros, vá, um homem recupera-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.” 

Conhecido como Dom Casmurro por seu constante mau humor, ele mostra aos leitores que não fora sempre assim. Em sua adolescência, foi um rapaz saudável, alegre e apaixonado. Muito apaixonado.
Na sua casa em Matacavalos, Bentinho, como era conhecido, tinha uma vizinha que era tudo o que qualquer rapaz poderia querer. Além de sua amiga e companheira de travessuras, também era seu grande amor. E com ela trocou diversas juras de que um dia se casariam e formariam uma bela e feliz família.
Mas nada vem fácil, certo? Haviam obstáculos que insistiam em separar os dois e que, embora parecessem horríveis, proporcionaram a ele a aproximação de novas pessoas que foram importantes para sua vida, como seu melhor amigo Escobar, que conheceu no seminário.
As promessas foram cumpridas  –  bem, quase todas – , e os dois se casaram. Mas uma duvida começa a assolar Betinho quando tem seu primeiro filho depois de dois anos de casado. Uma dúvida cruel, que o torna a pessoa que é hoje. 
Ganhei esse livro que uma amigo meu, Carlos, que é fã machadiano de carteirinha. Eu admito que sempre tive um certo preconceito contras os clássicos da literatura brasileira  por isso hesitei em começar a leitura desse livo. Imaginem a minha surpresa quando me deparei com uma história surpreendente nas páginas desse livro! Fiquei vidrada, prestando atenção nos mínimos detalhes, querendo desesperadamente achar algum indício claro da inocência ou culpa de Capitu. Essa questão me perseguiu por dias a fio até que desisti e concordei que este é um mistério insolúvel.
A minha edição de Dom Casmurro (Editora L&PM, 251 páginas) tem uma linguagem mais compreensível, digamos assim, o que serviu de um baita incentivo para que eu não abandonasse a leitura. Achei a trama muito bem elaborada e complexa, e Machado teve o cuidado de dar argumentos plausíveis para ambos os lados, impedindo uma conclusão acertada. Tudo isso faz com que este livro seja o maior clássico da literatura brasileira, e uma leitura obrigatória para todos. Afinal, um leitor não é um bom leito se não lê clássicos!

 "Capitu derreou a cabeça, a tal ponto que me foi preciso acudir com as mãos e ampará-la; o espaldar da cadeira era baixo. Inclinei-me depois sobre ela, rosto a rosto, mas trocados, os olhos de um na linha da boca do outro. Pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Chegue a dizer-lhe que estava feia; mas nem esta razão a moveu. [...] Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar u para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus, e..."