10/01/2014

[Resenha] Sociedade dos Meninos Gênios


Chantagem, mistério, confusões de gênero, coelhos falantes e um assassino autômato: mergulhe na trajetória de Violet Adams, que assume a identidade de seu irmão gêmeo para conseguir uma vaga na mais prestigiada universidade de Londres, que é exclusiva para meninos. Inspirado em clássicos como Noite de reis, de Shakespeare, e A importância de ser honesto, de Oscar Wilde, SOCIEDADE DOS MENINOS GÊNIOS traça um retrato pitoresco e provocativo da aristocracia vitoriana, oferecendo diversão, aventura e uma reflexão bem-humorada sobre a questão do gênero.

Violet Adams nunca foi a dama que a sociedade londrina do século 19 esperava que fosse. Ao invés de ocupar seu tempo com chá e fofocas ela tem o costume de se trancar no laboratório que construiu no porão da casa da sua família no interior, o que causa um certo medo em todos ao redor. Tendo uma facilidade maior em entender como funcionavam as engrenagens de suas máquinas do que as relações sociais que a pressionavam a realizar, ela decide se inscrever em Illyria, uma renomada faculdade de cientistas em Londres. Entretanto, seguindo os padrões rígidos e opressores daquela época, a faculdade aceita apenas o sexo masculino em suas dependências.
Para provar a todos que era tão digna daquele lugar quanto qualquer um, ela se inscreve com o nome do irmão gêmeo, Ashton Adams, que ao contrário da irmã se sente muito mais atraído pelo lado sentimental do mundo do que pelo racional. Aproveitando-se de uma longa viagem do pai, os dois colocam esse plano em ação, ciente das desastrosas consequências caso Violet seja pega.
Porém, provar sua genialidade e manter seu disfarce é mais difícil do que Violet esperava. Em meio a gatos invisíveis, autômatos assassinos, coelhos falantes, chantagens e sentimentos confusos, Violet vai aprender que, antes de tentar se provar a alguém, é preciso conhecer a si mesma.

Sociedade dos Meninos Gênios (Editora Novo Conceito, 544 páginas) me chamou a atenção desde o primeiro instante, tanto pelo título chamativo quando pela capa que, embora não seja a mais bela, causa curiosidade. Tive uma surpresa agradável ao descobrir que a obra era ainda melhor do que eu poderia ter imaginado pelo seu aspecto artístico.
A narrativa de Lev AC Rosen é inebriante. Tão viciante quanto chocolate, e impossível nos desprender das páginas de sua obra enquanto não chegamos ao fim. Embora a ideia central - uma mulher se disfarçando de homem para alcançar seus objetivos - não seja exatamente original, ele nos compensa com um enredo intenso, com muitas reviravoltas, ação e mistério, intercalados por momentos de descontração que fazem a leitura mais leve e nada cansativa.

"- Meu querido, eu não sonharia em duvidar de você. - disse Violet, zombando dele. - Afinal, que amor mais verdadeiro pode existir do que o amor à primeira vista? De todos os sentidos, a visão é certamente a mais romântica. Ouvi falar uma ou duas vezes sobre o amor ao primeiro cheiro, mas acho que não funcionou no final." página 226
Os diálogos são bem elaborados e inteligentes, e a interação entre os personagens foi realizada com perfeição. Claro que não poderia faltar um pouco de romance. E este, sendo cercado por mentes geniais, também se concentra mais na razão e no intelecto, sendo ainda assim capaz de arrancar suspiros.

"- Ah... Acho que era para fazê-lo calar a boca. Nós estávamos discutindo, como eu disse, e ele não ouvia a voz da razão; ele continuava falando bobagens, fingindo que era ciência. Então eu o beijei. E então ele se calou. Foi muito inteligente, acho." página 262
Além da habilidade de Lev AC Rosen em guiar o leitor pelas palavras, mesclando presente, passado e futuro em um mesmo momento, me encantou o fato de não se limitar apenas à trama principal e aos protagonistas, fazendo com que os personagens secundários também tenham sua importância na narrativa ao revelar suas histórias pessoais e seus pensamentos.
Não apenas a luta feminista contra o machismo foi abordada nesta obra. O autor também nos conta muito sobre os "invertidos", ou seja, gays. Ele tratou deste assunto, geralmente polêmico, com simplicidade e fez com que o preconceito não surgisse em hora nenhuma através de seus personagens, apenas expondo como a vida destes era difícil numa época em que sair dos padrões era um crime imperdoável.
Admito que, logo apos a última palavra, corri para escrever sobre este livro. E mesmo pensando muito não consegui descrever o quanto a obra me agradou e me surpreendeu. Obra mais do que recomendada... leitura obrigatória!

Análise

Enredo: 4,3
Originalidade: 3
Narrativa: 5
Intensidade da trama: 5
Espaço: 5
Habilidade do autor: 5
Diversidade de ambientes: 5
Tempo: 5
Concordância com a época: 5
Passagem do tempo: 5
Personagens: 5
Interação: 5
Personalidades: 5
Aparência e carisma: 5
Estrutura Artística: 4,8
Capa: 5
Título da Obra: 5
Sinopse: 5
Diagramação:4,5
- Erros:4
- Fontes/Ilustrações: 5
Estrutura Física: 5
Capa: 5
Páginas: 5
Minha Opinião: 5
Nota Final: 4,8