30/01/2015

[Resenha] O Lado Mais Sombrio

Título Original: Splintered
Série: Splintered #1
Autor: A.G. Howard
Editora: Novo Conceito
Páginas: 367
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O Coelho Branco, o Chapeleiro Maluco, o Gato, a Lagarta, a Rainha de Copas... Todos eles estão de volta, e desta vez o assunto é sério. Alyssa precisa enfrentá-los para salvar as mulheres de sua família de uma terrível maldição. Neste romance fantástico e surpreendente, a realidade pode ser muito mais perturbadora do que os sonhos.

Recebi esse livro ano passado e foi um dos livros que mais me chamou atenção, pela capa linda e pela ideia de um "novo" País das Maravilhas. No entanto, devido a falta de tempo, acabei podendo matar minha curiosidade só agora e não me decepcionei.
O livro é uma releitura dark de Alice no País das Maravilhas. A história contada por A.G. Howard é a seguinte: com sua visita ao país das maravilhas quando ainda era uma criança, Alice acabou fazendo coisas que tiveram graves consequências naquele mundo. Desde então, sua família sofre com uma terrível maldição em que as mulheres descendentes de Alice têm a missão de voltar à Toca do Coelho e consertar os erros de sua antepassada.
Alyssa é tataraneta de Alice e já sabe o suficiente da maldição para odiá-la: sua mãe, Alison, está internada em um sanatório há anos por não parar de falar do País das Maravilhas. Quando Alyssa também começa a ter visões e ouvir os pensamentos de flores e insetos, com medo de seguir o mesmo caminho que a mãe e ser distanciada do pai, ela esconde de todos o que está acontecendo, se tornando um pouco introvertida e excluída socialmente.
Quando Alyssa descobre que a maldição poderá causar a morte de sua mãe, ela se dispõe a ser aquela que a quebrará, mesmo tendo sérias duvidas sobre sua veracidade. Jeb, mesmo não sabendo de todos os detalhes macabros sobre ela e a família, é seu melhor amigo, paixonite e porto seguro. Por outro lado, Morfeu, que de alguma forma faz parte de quem Alyssa é, confunde o modo como ela se sente em relação a tudo, inclusive sobre seu próprio mundo.
O aspecto mais interessante dessa obra é a forma como o País das Maravilhas é apresentado ao leitor. Visto pelos olhos de uma crinça, o lugar parece muito mais encantador e inocente do que ele realmente é. Seu lado obscuro e sombrio é revelado ao leitor com descrições de cenário aterradoras e com personagens que outrora pareceram receptivos e agradáveis. Neste tributo à Lewis Carroll, a autora não muda a essência de sua história, apenas nos propicia um final alternativo com uma trama surpreendentemente bem bolada, com grandes reviravoltas a todo instante.
No entanto, nem tudo é mil maravilhas nesse livro. Devido à proposta da autora, eu não contava com os romances bem água com açúcar, que foram desnecessários e atrapalharam bastante o ritmo da leitura. Em contrapartida, a escolha da autora de uma narração em primeira pessoa da perspectiva de Alyssa foi uma perfeita, já que propiciou ao leitor desvendar cada pequeno segredo aos poucos, junto com a própria personagem.
Recomendo para aqueles que querem uma leitura leve e rápida, sem deixar de ser emocionante, para sair do "País das Maravilhas" de rotina e cair em um em que ninguém é o que parece ser.
Quer opinião de outros leitores? Confira as resenhas da Sharon, do My Dream's World, e a da Clayci, do Sai da Minha Lente.