09/02/2015

[Resenha] Manuscritos do Mar Morto

Título Original: The dead sea deception
Série: Leo Tillman & Heather #1
Autor: Adam Blake
Editora: Novo Conceito
Páginas: 477
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A ambiciosa policial Heather Kennedy está em seu trabalho mais difícil: seus métodos de investigação são criticados e ela está sendo assediada por colegas rancorosos porque não lhes dá atenção. Até que lhe é atribuída o que parece ser uma investigação de rotina, sobre a morte acidental de um professor da Faculdade Prince Regent, mas a autópsia deste caso volta com algumas descobertas incomuns: o inquérito vincula a morte deste professor às de outros historiadores que trabalharam juntos em um obscuro projeto sobre um manuscrito do início da Era Cristã.
Em seu escritório, Kennedy segue com sua investigação e logo se preocupa com o rumo para onde está sendo levada. Mas ela não está sozinha em sua apreensão. O ex-mercenário Leo Tillman - seu futuro parceiro - também tem angustiantes informações sobre estes crimes. E sobre a misteriosa organização mundo a que os crimes se relacionam... Escondido entre os pergaminhos do Mar Morto, um códice mortal pretende desvendar os segredos que envolvem a morte de Jesus Cristo
Entre um terrível acidente de avião no deserto americano, um brutal assassinato na Universidade de Londres e uma cidade-fantasma no México, Manuscritos do Mar Morto é o mais emocionante thriller desde O Código da Vinci.



Vamos começar da premissa de que a sinopse acima, encontrada no livro, não chega nem perto da verdadeira história da obra. Ambiciosa? Assediada? Cara, que livro vocês leram? Bem, no que eu li Heather Kennedy realmente está em apuros, certamente não por seus métodos de investigação, mas por seu forte senso de ética - que, por acaso, colocou toda a Divisão em uma situação um pouco complicada. Deixada de lado por todos os colegas de trabalho e sendo vítima de sórdidas brincadeiras, já estava bem claro que ela não era nem um pouco bem vinda naquele local. O fato de ser encarregada de um caso do tipo beco sem saída deixou ainda mais clara a vontade que todos sentiam de vê-la pelas costas.
Stuart Barlow, professor de história numa renomada Universidade de Londres, morrera três semanas antes, supostamente caindo de uma escada. O que fora declarado como um acidente passou a ser uma investigação de homicídio depois que os resultados da autópsia foram analisados. E cabia à sargento detetive Kennedy procurar pistas onde, após tanto tempo do ocorrido, dificilmente haveria alguma.
Bem longe dali, Leo Tillman continuava em sua própria missão impossível. Uma busca que já perdurava há treze anos, até então sem grandes conquistas. No entanto, seus modos são bem menos burocráticos e éticos do que os de Kennedy: sendo um ex-mercenário, Tillman sabia muito bem como aterrorizar aqueles que tivessem uma informação minimamente relevante aos seus interesses.
"Visto de dentro do contexto, constituía uma resposta extrema, mas não surpreendente, para o luto e a perda: tornar-se um soldado, um homem que matava sem sentimento humano, já que nada em sua própria vida parecia requerer o exercício de tal sentimento." página 91
E é nessa busca sem respostas aparentes que os dois opostos terão que se juntar, superando suas diferenças, para resolver um grande mistério que coloca em cheque suas vidas e de muitas outras pessoas. Segredos que até então estiveram enterrados bem longe dos olhos da humanidade serão revelados, e isso poderá trazer graves consequências aos que ousarem cavar mais fundo.
Me sinto na obrigação de informar que ficção policial nunca foi meu gênero literário favorito - bem pelo contrário, até. No entanto, a narrativa misteriosa de Adam Blake somada a um enredo instigante é a equação perfeita para uma obra emocionante e admirável.
A narrativa da história acontece em terceira pessoa e de vários focos, não apenas de Kennedy ou Tillman, possibilitando que o leitor esteja ciente de vários eventos e os conecte com o decorrer da narrativa. Coisas que são expostas no começo do livro têm uma explicação muito mais tarde, o que cria toda uma atmosfera de mistério, essencial nesse estilo.
Os personagens criados por Adam Blake são simplesmente incríveis. E estou falando de todos os personagens, desde os protagonistas até os que tiveram participação mínima na trama. A conexão com os personagens se aprofunda a cada capítulo, e mais ainda quando somos presenteados com pequenos trechos de suas histórias pessoais.
A obra é dividida em quatro partes, cada uma mais envolvente que a outra e com doses de ação que aumentam torrencialmente. A diagramação do livro está perfeita, e encontrei pouquíssimos erros para um livro desse tamanho.
Posso dizer que fui pega desprevenida e fui completamente arrebatada por este livro. Em breve vou ler O Código do Apocalipse, do mesmo autor, e espero ser novamente surpreendida.
Quer opinião de outros leitores? Confira as resenhas da Fer, do Passaporte Literário, e do Felipe, do Por Essas Páginas.