10/07/2015

[Resenha] Colin Fischer

Título Original: Colin Fischer
Autor: Ashley Edward Miller & Zack Stentz
Editora: Novo Conceito
Páginas: 176
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Colin Fischer não suporta ser tocado. Não gosta de azul. Precisa de cartões de memorização para reconhecer as expressões faciais das pessoas.
Acompanhe Colin, um Sherlock Holmes do nosso tempo, enquanto ele usa sua incrível percepção para juntas as peças sobre o disparo de uma arma de fogo na cantina da escola, que acabou atrapalhando uma festinha de aniversário. A investigação vai obrigar o garoto a sair da sua zona de conforto e forçá-lo a considerar o maior mistério de todos: No que, afinal, as pessoas estão pensando? O que elas estão fazendo?

Colin Fischer acaba de ingressar no ensino médio e, logo no primeiro dia, descobre que não será a experiência mais agradável de todas: sua cabeça sendo forçada para dentro de um vaso sanitário imundo deixou isto bem claro. Como se o colegial já não fosse traumático o suficiente, Colin possui a Síndrome de Asperger que torna suas habilidades sociais quase nulas: embora tenha um pensamento lógico extremamente desenvolvido, o que o leva a dizer coisas ligeiramente desconfortantes, o garoto não suporta contato físico e precisa andar com cartões de memorização para reconhecer as expressões faciais das pessoas ao seu redor.
Sua companhia mais frequente é o Caderno, onde escreve todos os seus pensamentos e coisas interessantes que merecem investigação. Não seria nada inesperado se no meio de um diálogo Colin começasse a anotar as mudanças em suas expressões faciais para melhor interpretação posterior. É graças a esse poder de observação e dedução que ele se vê envolvido em um grande mistério: quem poderia ter disparado uma arma de fogo na cantina da escola durante uma festinha de aniversário?

"Colin assentiu, sem realmente prestar atenção. Estava muito concentrado em registrar seus pensamentos."

O trabalho gráfico realizado nessa obra é simplesmente incrível, a começar pela capa que representa bem Colin e sua expressão impassível. A narração é feita em terceira pessoa (uma escolha inteligente visto que Colin não saberia descrever as emoções das outras personagens) com exceção de pequenos trechos presentes no início de cada capítulo do que o protagonista escreve em seu Caderno. Essas reflexões de Colin revelam uma criança inteligente e racional, que percebe as coisas do mundo de uma forma diferente da nossa, mas de forma alguma "incapaz" ou "retardado", como costumam julgar as pessoas com a Síndrome de Asperger.
Colin Fischer é uma leitura rápida e divertida. O interessante da obra não é nem a história em si, nem a resolução do grande mistério, mas sim a forma como os autores desenvolveram o personagem, como apresentaram de uma forma simplificada as dificuldades que enfrentam aqueles que possuem a Síndrome de Asperger. Colin, com sua forma metódica de ser e lógica implacável, acaba conquistando o leitor.

"A vida real não funciona como um romance de mistério. Mas deveria. Investigar"