21/09/2015

[Resenha] O Mochileiro das Galáxias



Lógica: coerência
Sentido: razão, bom senso, significado de algo

Esses são alguns dos significados encontrados para ambas as palavras no dicionário, e é tudo aquilo que você não vai encontrar na série O Mochileiro das Galáxias. Claro que existe uma "nanofintesima" possibilidade de você entendê-lo, porém isso só para aqueles que já possuem conhecimentos elevados sobre o Gerador de Improbabilidade Infinita ou o funcionamento de uma bistromática. Mas, o que você esperaria de uma trilogia de cinco?
A série gira em torno de Arthur Dent, Tricia McMillan (Trillian), Ford Prefect e Zaphod Beeblebrox que por uma série de coincidências (ou seria apenas obra da engenharia reversa temporal?) acabaram se encontrando em um dos multiversos. Tudo começa quando Arthur e Ford estão prestes a vivenciar a destruição da Terra para a construção de uma hipervia espacial e conseguem carona em uma das naves de demolição. A partir daí a "trilogia" segue rumos cada vez mais inesperados e improváveis, todos conectados por alguma coisa existente na mistureba generalizada que é tudo.
Apesar de sua incoerência, a série se mostra de uma forma ilogicamente lógica. Douglas Adams fez o que poucos autores conseguem: prender um leitor a um livro "sem pé nem cabeça". Não importa que você não esteja entendo o que está acontecendo, o personagem principal também não está. Além disso, Adams foi capaz de misturar humor, sarcasmo e críticas pertinentes até hoje de uma forma exímia, de tal modo que ao ler sua obra pensamos que foi escrita atualmente (mesmo o último livro tendo sido lançado há 13 anos e o primeiro há mais de 40). Os livros não apenas nos divertem com suas situações desconexas, mas também nos fazem pensar sobre nossa realidade e sobre nós mesmos.