30/09/2015

[Resenha] A Torre Negra


"Assim como um doente à beira da morte
Já parece morto, e pressente o pranto fatal,
e recebe de todos a despedida amical,
E escuta ao longe a saída de outro consorte
Para respirar lá fora, (não se muda a sorte,
ele diz, e o pesar não se alivia com o golpe final)"

Esse é um pequeno trecho do poema Childe Roland à Torre Negra Chegou, escrito em 1855 por Robert Browning e inspiração para que, mais de um século depois, Stephen King escrevesse aquilo que ele mesmo chamou de sua obra prima: A Torre Negra.
O enredo consiste na busca de Roland, o último dos pistoleiros, pela Torre Negra, o pilar de todo o espaço e tempo. Inicialmente ele se mostra como um lobo solitário, mas ao longo de sua jornada ele encontra outros para o ajudar nessa difícil tarefa. Jake, Susannah, Eddie e Oi (algo como uma mistura de guaxinim com cachorro, ou seja, um Trapalhão) são apresentados ao longo da série de tal forma que não apenas conhecemos suas histórias, mas também nos apegamos à eles, assim como Roland.
Em seus sete livros, King conseguiu criar uma história simplesmente épica. Baseando-se também em O Senhor dos Anéis, ele foi capaz de misturar fantasia medieval, contemporaneidade (incluindo aspectos da cultura popular), universos paralelos e humor em uma narrativa fluída. Diferente da maioria de suas obras, esta não se mostra tão voltada para o terror, mas sim para um faroeste moderno e fantástico.
Além disso, o autor inclui na estória diversos outros livros dele, como se todos fossem parte de um único universo, e isso chega ao ponto de colocar a si próprio na narrativa. Essa ideia, além de fascinante, faz com que ao se ler outros livros dele, estes tomem um significado completamente novo, como se finalmente estivessem completos. 
King em um dos livros da série diz que sentia que praticamente tudo o que escrevera até ali era como uma preparação para aquela estória, então acho que vale realmente a pena ler, mesmo que no fim você tenha uma relação de amor e ódio com o desfecho, como é o meu caso.
Curiosidade: Diz a lenda que King só terminou de escrever a série depois de dois paciente em estado terminal escreverem para ele perguntando como terminava a história; além disso, em 99 ele sofreu um acidente (o que é fato) e teve medo de nunca poder terminar essa obra prima.