01/11/2015

[Resenha] Clube da Luta


Título Original: Fight Club
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Leya
Páginas: 272
Considerado um clássico moderno desde sua publicação em 1996, o livro Clube da Luta consagrou Chuck Palahniuk como um dos mais importantes e criativos autores contemporâneos, além do próprio livro como um cânone da cultura pop. O livro que estava esgotado há anos volta às livrarias nessa caprichada edição.
O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente.


A primeira regra do clube da luta é não falar sobre o clube da luta.
O protagonista sem nome tinha uma vida praticamente perfeita: um bom emprego, um bom carro e um bom apartamento cheio de móveis e utensílios de que não precisava. 
A segunda regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.
Nada disso impedia que sofresse de insônia todas as noites. Seu estilo de vida consumista e monótono não o salvava das noites em claro. Só uma coisa era capaz de fazê-lo dormir: grupos de apoio. Aparentemente, ver todas aquelas pessoas à beira da morte fazia com que se sentisse superior e até mesmo em paz consigo mesmo. Isso até aparecer Marla Singer, alguém que teve a mesma ideia que ele e que agora ameaçava seu disfarce nos grupos de apoio, seu incurável vício.
Quando alguém disser "pare" ou perder os sentidos a luta acabou.
De alguma forma, conhecer Tyler Durden mudou a forma como pensava na vida. Sua busca pela melhor decoração de repente se tornou algo fútil. Tyler era diferente. Ele tinha ideias excêntricas e pouco se importava com bens materiais ou com as regras que tentavam lhe impor. 
Só duas pessoas em cada luta.
Tyler idealizou o clube. Não se trata apenas das lutas. Trata-se da libertação. De deixar quem você é no mundo real para trás: aqui, o que você faz, o que você tem ou quem você é não significa nada. Por que, no final das contas, não significa nada mesmo. Não passamos dos "filhos do meio" do mundo, "aqueles que são rejeitados até pelo próprio Deus".
Sem camisa, sem sapatos.
Você precisa chegar no fundo do poço para conseguir subir. Precisa perder tudo aquilo em que se agarra para descobrir quem você realmente é. Para ser livre para fazer o que quiser.
As lutas duram o tempo que for necessário.
Chuck Palahniuk traz uma obra violenta, não pelas lutas, mas pelas reflexões sociais que traz à tona sobre o contexto atual global, mesmo que o livro tenha sido publicado pela primeira vez há muitos anos. O anonimato do personagem principal contribui para que o leitor se identifique com o mesmo: afinal, ele pode ser qualquer um de nós. Clube da Luta é aquele tipo de livro que te marca para sempre: por meio de uma narrativa cronologicamente desconexa, e talvez por isso tão surpreendente e fluida, somos desafiados a mudar. Começando pela destruição de toda e qualquer regra.
Se é a sua primeira noite no Clube da Luta, você tem que lutar.