24/02/2016

[Resenha] Morte Súbita


Título Original: The Casual Vacancy
Autor: J. K. Rowling
Editora: Nova Fronteira
Lançamento: 2012
Páginas: 512

Quando Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque.A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra.
Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos Pagford não é o que parece ser à primeira vista.
A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos.

Barry Fairbrother era um dos pilares do pequeno vilarejo de Pagford. Politicamente ativo, defensor dos pobres diante dos mais ricos e encantador com sua personalidade forte e divertida. Não foi surpresa o caos que se instaurou após sua morte súbita, devido a um aneurisma que não sabia possuir. Repentinamente, tudo mudou tanto na vida daqueles que estavam diretamente ligados a Barry - como sua esposa Mary Fairbrother e sua protegida Krystal Weedon - tanto daqueles que não eram tão íntimos ou sequer o conheciam. Sua cadeira no Conselho Distrital de Pagford ficara vazia, desequilibrando as opiniões políticas do vilarejo: muitos futuros estavam em jogo, considerando que era um dos pouco que defendiam a Bellchapel, uma clínica de recuperação, e Fields, um bairro marginalizado com suas casas mal cuidadas e usuários de drogas - de onde ele viera.
J. K. Rowling supera-se em Morte Súbita. Habituada com os livros da saga Harry Potter, estranhei ao me deparar com um enredo longe da fantasia na narrativa impecável da autora - o que fez com que a obra não me agradasse a princípio. Aquilo que eu julgava como praticamente um "livro de fofocas" sobre a vida dos habitantes de Pagford mostrou-se um relato complexo e cru de temas com os quais convivemos ou ouvimos falar no dia a dia: segregação social, drogas, casamentos frustrados, TOCs, bullying, dependência afetiva, automutilação, estupro. Todos tratados com um misto perfeito e bem dosado de drama e humor negro.

Na sua opinião, o maior erro de noventa e nove por cento das pessoas é ter vergonha de serem quem são, é mentir a esse respeito, fingindo ser alguém diferente. A honestidade era a sua marca, a sua arma, a sua defesa. Quando somos honestos, as pessoas se assustam, ficam chocadas.
A autora demostra um domínio incrível sobre a narrativa, em que vários personagens se movimentam em paralelo sem que suas histórias pessoais ofusquem as demais, sendo desenvolvidos harmoniosamente pela mesma, que faz com que personagens inicialmente desprezados se tornem amáveis depois de se conhecer um pouco de seu passado, de seus motivos. J.K Rowling passa uma mensagem clara nesta obra: todos tem algo a esconder, algo que não é amável a seu respeito, e isso é, de fato, ser humano.