27/04/2016

[Resenha] Joyland

Título Original: Joyland
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Lançamento: 2013
Páginas: 239

Um pequeno conselho: não se aventure na roda-gigante em uma noite chuvosa.
Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.
Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria.
O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

Joyland é um daqueles parques de cidade pequena que conseguem se manter com o movimento da alta temporada e, como todo bom parque, tem suas próprias histórias. Devin é um universitário que, como todos nós, precisa de dinheiro e para isso decide ir trabalhar durante as férias de verão. E é com ele que descobriremos as verdades por trás das lendas do parque, que teremos nossos corações partidos e por fim alcançaremos o prazer, ou desprazer, de um final magnífico.
King nos presenteia com um narrador altamente sarcástico, amargurado (por mais que ele diga que não), saudosista, emotivo, enfim, um narrador humano. Essa é uma das características mais marcantes ao longo dessa história: a humanidade das personagens. Diferente da maioria das histórias escritas por Stephen que eu já li, onde o que está em destaque é o magnífico, o sobrenatural, nesta o foco é o ser humano (mesmo que haja um pouco do incrível).
"As pessoas pensam que o primeiro amor é fofo e que fica ainda mais fofo depois que passa. [...] No entanto, essa primeira mágoa é sempre a mais dolorosa, a que mais demora para cicatrizar e a que deixa a cicatriz mais visível. O que há de fofo nisso?"
Não apenas o narrador é bem trabalhado, mas também a história com um todo. Para os mais desavisados, passaria facilmente (principalmente para aqueles que acreditam no além) como uma história verídica. O autor não apenas soube como trabalhar as emoções humanas de forma impecável, como inclusive passar essas emoções ao leitor. Além disso, há também a forma cuidadosa que a memória do narrador foi descrita. Enfim, só tenho a acrescentar que não é uma história tão fofa assim, mas que vale a pena ser lida.