20/05/2016

[Resenha] Revival


Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes.
Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade.
Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.


Jamie Morton é uma simpática criança de seis anos em uma pequena cidade do (adivinhem?) Maine quando conhece o novo ministro da igreja, Charles Jacobs. Logo de cara nasce entre ambos uma ligação que durará o resto da vida e que trará consequências que o pequeno jamais poderia imaginar. Após alguns poucos anos, Jacobs sofre uma terrível perda, a morte da esposa e de seu filho, causando grande sofrimento e, posteriormente, seu exílio da cidade. Anos mais tarde, ambos voltam a se reencontrar e Morton tem seu futuro salvo (e selado) por Charles.

"Quando penso em Charles Jacobs - meu quinto personagem, meu agente de mudança, minha Nêmesis -, não ouso acreditar que a presença dele em minha vida tenha qualquer ligação com o destino, pois isso significaria que todas aquelas circunstâncias terríveis - aqueles horrores - estavam fadadas a acontecer. Se for assim, a luz não existe, e nossa crença nela é mera ilusão. Se for assim, vivemos na escuridão, como animais em uma toca, como formigas nas profundezas de suas colônias.
E não estamos sós."
Assim como em Joyland, King nos presenteia com uma história cuja narrativa se volta mais para os sentimentos de seu narrador, uma história na qual se conta o passado, totalmente dependente das lembranças, dos rancores e do conhecimento daquilo que será descrito. Revival é uma história sobre renascimento, sobre recomeço, mas antes disso tudo vem a queda, a perda e o quanto isso pode modificar um ser humano da forma mais profunda. Tornar pessoas boas em más, carinhosas em perversas, sãos em loucos.
É também um estudo de nossa natureza: até onde estamos dispostos a ir para conseguir aquilo que almejamos? Seriamos capazes de passar por cima dos outros por um desejo? De esquecermos os horrores de alguém por mera curiosidade? Revival é, em suma, uma leitura obrigatória àqueles que buscam uma boa história, mas principalmente àqueles que anseiam por desvendar as consequências que uma perda pode trazer.

Título Original: Revival
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Lançamento: 2015
Páginas: 376
Avaliação: ★★★★★