22/06/2016

[Resenha] Cada dia, cada hora


Dora e Luka cresceram em Makarska, uma pequena cidade costeira da Croácia. Juntos, os melhores amigos dividiram as alegrias da infância, até Dora se mudar com a família para a França. Muitos naos depois, agora adultos, os dois reencontram-se e vivem um amor digno dos versos de Pablo Neruda. Mas o acaso mais uma vez os separa, e serão necessárias décadas até que Dora e Luka possam experimentar plenamente  paixão para a qual estavam destinados.
Cada dia, cada hora foi um dos livros que foram distribuídos no Mochilão da Record. Devo admitir que, num primeiro momento, ele não me chamou atenção: é um livro relativamente pequeno e com uma capa que não considerei tão convidativa. Adiei a leitura e acho que só dei uma oportunidade a ele de fato por ter topado participar de uma maratona proposta pela Barbara Sá, do Segredos entre Amigas. Adivinhem minha surpresa quando me deparei com um dos romances mais lindos que já li.

"Ninguém se espanta. Ninguém pergunta nada. Todos olham, interessados, pois nunca houve nada igual em Makarska. (...) Há algo de estranho no ar quando Dora e Luka estão juntos. Não é paz, mas também não é tormenta."
Luka e Dora se conhecem no jardim de infância e, instantaneamente, se tornam inseparáveis. Eles aproveitam cada dia na pequena cidade croata de Makarska: vão ao seu rochedo, mergulham no mar, tomam sorvete - de chocolate, o preferido de Dora - ou simplesmente passam o tempo fazendo companhia um ao outro. A vida parecia se resumir a isso quando o impensável aconteceu: em um trágico mês de setembro, Dora teve de se mudar com os pais para Paris, deixando para trás tudo aquilo que ela conhecia e amava. Incluindo Luka.
Anos se passam, até que as memórias que tinham juntos se tornaram borrões irreconhecíveis. Um tabu, algo que causava um terrível sentimento de perda à menor menção, sem que os jovens soubessem exatamente o por quê. Luka tenta seguir sua carreira como artista. Dora se mostra uma proeminente atriz. Mal sabiam eles que seus caminhos estavam destinados a se cruzarem mais uma vez.

"E então, de repente, com uma força irresistível, maior do que um furacão, ela compreendeu com o seu corpo inteiro, com todos os seus sentimentos, pensamentos e sentidos e toda a sua saudade, que não consegue conceber nunca mais sentir o corpo de Luka. A dor é fisicamente insuportável. É como ser enterrada viva. O pesadelo de sua vida."
Por meio de duas vozes paralelas, tomamos consciência da perspectiva de ambos os personagens quase simultaneamente nas frases curtas e parágrafos que se alternam entre Luka e Dora. No início, estranhei um pouco esse formato - os diálogos são um pouco difíceis de acompanhar quando se estendem - mas logo me acostumei com o ritmo e a leitura fluiu bem.

"Tudo nela o surpreende, sempre de novo. Ele ama aquilo que conhece. E se apaixona por aquilo que ainda não conhece"
Cada dia, cada hora é a história de duas pessoas feitas uma para outra, cujos destinos estão entrelaçados, mas que o acaso faz questão de separar. Com uma narrativa poética, Natasa Dragnic nos mostra um amor que transcende o tempo, a distância e os obstáculos mas que - no final das contas, pode não se concretizar: afinal, a vida nem sempre é justa.

"Sem ti não existe nada. Não ser significa ser sem ti. Sem mas ou porém."

Autor: Natasa Dragnic
Editora: Record
Lançamento: 2012
Páginas: 240
Avaliação:★★★★★