24/06/2016

[Resenha] Fama


Linda, rica e famosa, a atriz Sabrina Leon tem um temperamento explosivo que pode lhe custar sua carreira. Já o aclamado diretor e produtor Dorian Rasmirez, um gênio criativo que insiste em financiar seus próprios projetos, está à beira da falência. E o ator Viorel Hudson tenta se consagrar como mais do que um rostinho bonito. Juntos, os três estão envolvidos no novo projeto de Rasmirez, um remake do clássico "O Morro dos Ventos Uivantes". Seria este o filme que salvaria suas carreiras? Em Fama, Tilly Bagshawe retrata o envolvente mundo de glamour, intrigas e disputa por poder de Hollywood.
Sabrina Leon é linda, famosa e a queridinha de Hollywood - ou pelo menos era. Cercada de polêmicas e escândalos, a atriz vai parar na reabilitação e assiste a decadência de sua carreira de camarote. Um convite para atuar sem cachê na nova produção de um consagrado diretor é a sua última chance, a luz no fim do túnel. Isso é, se ela não arruinar tudo com o seu jeito rebelde e arrogante de ser.
"As câmeras não conseguiam nada. Nenhum dos dois chegara ao lugar onde estavam hoje revelando suas emoções. Decerto não de graça."
Dorian Rasmirez, o diretor que jogou a bóia salva-vidas para uma Sabrina condenada, não se encontra numa situação muito melhor: com uma esposa mimada e financeiramente incontrolável, um castelo dispendioso para manter e a perseguição de um concorrente que deseja vê-lo no fundo do poço, ele está à beira da falência. O novo filme, uma refilmagem do clássico O Morro dos Ventos Uivantes, é sua oportunidade para salvar tanto o casamento quanto a carreira.
Viorel Hudson é um dos atores mais desejados e cotados dos últimos tempos. Mas para ele isso não basta: ele não quer estar entre os primeiros, quer ser o primeiro. Ele fará de tudo para provar que não é só mais um rostinho bonito mas sim, como gosta de dizer, o rei do mundo.
"Os boatos diziam que a vaidade dele era inimaginável: Viorel Hudson era provavelmente o único homem em Hollywood cujo sex appeal e arrogância estavam aos pés dos da própria Sabrina"
Tish Crewe não tem nada a ver com todas as intrigas e fofocas do mundo dos famosos - pelo menos não até ter que abrigar um bando deles em Loxley Hall. Problemas familiares e irresponsabilidades fizeram com que a propriedade, que pertence a família Crewe há décadas, entrasse em decadência. Tish teve que largar seu trabalho de caridade na Romênia, toda a vida que construiu lá, para garantir que o local continuaria sendo uma herança para as próximas gerações da família - mesmo que isso envolvesse suportar todos os dramas e dificuldades que surgem naturalmente quando Sabrina está por perto.
O destino - e uma pitada de acaso - fará com que a vida dessas quatro pessoas se entrelace de tal forma que, gostando ou não, um acaba dependendo do outro para conseguir aquilo que deseja. Muitas vezes, porém, aquilo que pensamos querer não é exatamente o que precisamos - lição que vão aprender a partir da convivência com suas diferenças.
"Ele estava cansado de se sentir culpado o tempo todo. A mãe o fazia se sentir assim frequentemente quando criança - inadequado, inferior, desapontador. Tish Crewe parecia ter a mesma habilidade de envergonhá-lo com um olhar ou uma palavra, de fazê-lo sentir-se como um estudante travesso quando, por direito, ele deveria se sentir como o rei do mundo."
Fama, de Tilly Bagshawe, foi uma agradável surpresa. A sinopse não tinha chamado a minha atenção, mas quando decidi lê-lo o nome de Sidney Sheldon logo saltou aos meus olhos: adoro o autor e minhas expectativas foram lá em cima quando descobri que Tilly já escreveu com ele - isso para mim é sinônimo de uma narrativa inebriante. 
Acho que foi melhor ter mergulhado na história sem saber muito dela antes: fui surpreendida a cada página, fisgada pelas personalidades complexas que ora são agradáveis ora nos irritam. Porque os personagens de Tilly são assim: inconstantes e reais. É possível se identificar, torcer e até mesmo julgar as escolhas daqueles que te atraíram mais, e também começar a amar aquele que no início te causou náuseas (meu caso com o Viorel).
"Para Viorel, a competição sempre aguçava o prazer de qualquer experiência. Atuar era divertido. Sexo era ainda melhor. Mas vencer... era o melhor de tudo."
A trama é cheia de reviravoltas emocionantes que te pegam desprevenido. Achei incrível que, se passando em um contexto completamente hollywoodiano, a obra conseguiu fugir dos clichês e entregar ao leitor casais improváveis e um final que não grita "viveram felizes para sempre" mas sim "vida que segue".