13/06/2016

[Resenha] Os Três


Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo.
Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação.
A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular:
"Eles estão aqui.
O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele..."
Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

Ganhei esse livro em um sorteio do encontro do Dia da Toalha (falei sobre ele aqui) e desde então estava super ansiosa para iniciar a leitura. Tive que passá-lo na frente de alguns livros da lista, mas quando Stephen King recomenda uma obra você dá prioridade a ela, não é mesmo? Não que eu já tenha lido algo dele, mas se ele tem tantos fãs ao redor do mundo, presumo que seja bom (hehe).
"Talvez alguns leitores não sintam pavor quando as palavras Quinta-Feira Negra são mencionadas. Aquele dia - 12 de janeiro de 2012 - em que quatro aviões de passageiros caíram com horas de diferença, resultando na morte de mais de mil pessoas, entrou para os anais dos desastres devastadores que mudaram a forma como vemos o mundo. Mas ninguém poderia ter previsto a cadeia macabra de acontecimentos que viria em seguida ou a rapidez com que iriam se desdobrar." Qual a probabilidade de acontecerem quatro acidentes aéreos quase simultaneamente em lugares completamente diferentes do mundo? Quais as chances de três crianças sobreviverem praticamente incólumes? Uma mensagem deixada por uma das vítimas do acidente poderá trazer o caos ao mundo.
A chamada Quinta-Feira Negra passou a ser o marco para as mais variadas teorias da conspiração que dividiram o mundo. Grande parte da população acreditava que as crianças eram um sinal divino do fim dos tempos, outros juravam que eram produtos de experimentos alienígenas em conluio com o governo. Outro apenas queriam que os pobres coitados fossem deixados em paz com sua sorte - ou azar - para superarem os traumas.
"De longe, os boatos e as teorias mais venenosas são so que circulam sobre as três crianças sobreviventes, Bobby Small, Hiro Yanagida e Jessica Craddock, que em nome da brevidade, vou chamar de Os Três." Não tenho como falar muito da história sem entregar o suspense do livro, mas para ler Os Três você deve se preparar para algo diferente de tudo o que você já viu. Não acompanhamos um personagem ou outro durante a narrativa: somos surpreendidos por uma compilação de entrevistas, documentos e transcrições de gravações que nos deixam em dúvida sobre se tratar de fato de uma obra de ficção.
Durante toda a leitura o leitor se questionará sobre a imparcialidade de Elspeth - responsável pela organização dos documentos que foram publicados sobre o título de "Quinta-Feira Negra, da queda à conspiração". Afinal, quem garante que ela não separou apenas os trechos mais sensacionalistas, mais chocantes, com o objetivo de causar polêmica?
Temos a oportunidade de ver a história por vários pontos de vista, que nem sempre seguem uma linearidade: às vezes, um entrevistado pode comentar um fato que ocorrerá só nas últimas páginas da obra e o leitor fica angustiado para saber do que se trata. E nós nunca sabemos quem está contando a verdade, quem está certo - cabe ao leitor pesar seus valores e decidir de qual lado quer estar.
"Esses três são os únicos sobreviventes, vou repetir, ouvintes, porque é importante, os únicos sobreviventes. Nem mesmo os investigadores de acidentes aéreos conseguem explicar por que essas crianças foram salvas." Sarah Lotz traz suspense, mistério e uma obra que, definitivamente, não vai sair da minha cabeça nas próximas semanas.

Autor: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Lançamento: 2014
Páginas: 390
Avaliação:★★★★★❤