03/06/2016

[Resenha] Trevo de 4 Folhas

Esta resenha pode conter spoilers. Antes de prosseguir, leia Triângulo de 4 Lados.
Tatuagens que amenizam cicatrizes, óculos escuros que cobrem os olhos e uma lábia que conquista qualquer um. Matheus Bianchi é observador, gentil e determinado. Um homem de poucas palavras. Oculta sombras que atormentam até mesmo seus mais secretos sonhos. Já Rodrigo Guano sempre foi um sedutor passional, impulsivo e egoísta, mas se arrependeu do que fez de errado. Somente ele sabe o que guarda para si, por trás de uma imagem invejável e um sorriso avassalador. Matheus e Rodrigo sabem que tem muito em comum. Trabalham na mesma empresa, dividem os mesmos interesses e amigos, são integrantes da mesma banda de rock, e pensam que suas semelhanças param por aí... Será mesmo? Quantos segredos se escondem atrás de sorrisos e tatuagens? Até que ponto as aparências enganam?
Quem me acompanha no Twitter viu como eu pirei totalmente com o primeiro volume dessa série, Triângulo de 4 Lados. Dessa vez, eu enchi foi a galera do Instagram com fotos desse livro que me conquistou tanto quanto o anterior.
Trevo de 4 Folhas tem uma pegada completamente diferente do seu antecessor: deixando o romance um pouco de lado, o livro foca em conhecer melhor o passado dos personagens e em mostrar a evolução deles com o decorrer dos problemas com os quais se deparam.
"Se sempre considerei minha vida um jogo árduo a se jogar, o último ano me mostrou quão difícil seria fazer a próxima jogada, para me aprofundar em um passado que eu queria conhecer."
Encontramos nessa narrativa uma Sara completamente diferente daquela que nos foi apresentada. Dedicando-se ao sonho de sua arte, ela aprendeu muito com os erros e dores do passado, decidindo que precisava de um tempo para si e para a recuperação do seu coração. Aos poucos ela deixa de ser a adolescentes bobinha apaixonada e passa a ser uma mulher independente e guerreira, que segue seus sonhos.
"Porque ninguém além de mim era capaz de me retirar das águas turbulentas que tentavam me afogar. Eu não precisava de um príncipe encantado que me salvasse. Não era uma metade para que alguém me completasse, e me bastava."
Mas não é a Sara que iremos acompanhar nessa trama. Rodrigo e, principalmente, Matheus protagonizam essa história, assumindo novas responsabilidade e tendo que fazer uma difícil decisão entre a estabilidade e seus sonhos. Como se já não bastasse todas as dúvidas que são instauradas com o crescimento inesperado da banda, eles descobrirão coisas sobre o passado que podem - e vão - abalar totalmente suas estruturas.
"Algumas memórias persistem a todas as marcas do tempo. E não existe meio capaz de apagá-las. Elas marcam nossa jornada com uma constância diária... Algumas vivas como fotografias, outras diáfanas como éter. As que eu tentava esquecer se mantinham impregnadas em mim. E, por elas, meu coração morava na casa do luto."
Fiquei especialmente empolgada com a possibilidade de conhecer mais sobre Matheus, que foi uma verdadeira incógnita no volume anterior.  Descobrimos que há muito mais do que poderíamos imaginar por trás de seus olhos azuis e de seu sorriso encantador com covinhas. O vocalista de voz rouca e tom rasgada guarda em si um passado sombrio e uma vida mais vazia e solitária do que nos deixa perceber. Resta saber se as descobertas farão bem a ele ou se vão quebrá-lo ainda mais.
"Por tantos pecados que acumulava, não me considerava digno de amar. Talvez, por isso, fui tão atraído por um certo triângulo de quatro lados, que eu sabia ser uma forma geométrica inexistente, portanto, impossível de se transformar em algo concreto."
A narrativa de Fernanda Medeiros e Adelina Barbosa continua encantadora: a leitura flui facilmente e o complicado é parar de ler. Percebe-se claramente que não foram apenas os personagens que evoluíram, mas as autoras também. Infelizmente, Trevo de 4 Folhas não conseguiu tirar meu sono como o anterior - senti falta das cenas entre Sara e Brent - mas, assim como ele, tem um lugar muito especial no meu coração.
"Aprendi que recorria à tristeza sábia quando precisasse ouvir minha consciência, para amadurecer meu coração, acostumado a adormecer embalado pelas lágrimas pungentes da inexperiência. A mesma tristeza me fez reconhecer que tudo tinha um fim em si mesmo. Fez-me ver que eu não precisava mudar para evoluir , e sim evoluir para mudar."
Autor: Fernanda Medeiros e Adelina Barbosa
Editora: D'Plácido
Lançamento: 2016
Páginas: 373
Avaliação: ★★★★★