13/07/2016

[Resenha] Estrela da Manhã


Rafael, um menino frágil e sensível, sofre a perseguição de um grupo de valentões na escola. Em casa, não encontra apoio da mãe relapsa nem do irmão mais velho. Perdido, tenta encontrar na internet, através da tela de seu smartphone, tutoriais de rituais para reencontrar seu pai morto. Ele acredita que somente algo vindo do além poderá ajudá-lo.
O menino é tão persistente que finalmente sua voz é ouvida do outro lado. No entanto, quem responde ao seu chamado não é o pai, mas uma entidade que promete protegê-lo de seus detratores durante sete dias. Rafael só quer ser protegido, por isso entrega à entidade a lista com os nomes dos que o aborreceram. Só quando a primeira pessoa de sua lista morre ele descobre que seu pesadelo está apenas começando.
Rafael perdeu seu pai quando muito novo e, desde então, vive com a mãe e o irmão, que preferem voltar suas atenções para qualquer outra coisa que não os problemas do caçula da família. E quais problemas um menino ainda no fundamental poderia ter? Bullying. Rafael é perseguido por Maguila e seus amigos na escola e fora dela, tendo como único apoio Renata, sua amiga e colega. Sua família não quer saber de seus problemas e o pessoal da escola passa a mão na cabeça de Maguila por ser filho de Dona Beatriz, dona de um dos melhores Spas da cidade e "amiga" da diretora. Só resta a ele seu pai, que apesar de já ter partido dessa vida, pode ainda ser alcançado com os devidos meios.
Rafael parte então em uma busca incansável pela internet por uma forma de contatar seu falecido pai e, quem sabe, encontrar a proteção que tanto anseia, mas no dia que finalmente faz contato com o além, não é seu velho que responde ao seu chamado e sim uma empresa - Pé na Tumba - que diz fornecer demônios e fantasmas a seus cliente por um preço. 
"O símbolo do sim era um pentagrama que girava lentamente, um símbolo que ele conhecia muito bem de suas pesquisas sobre o ocultismo. Qualquer pessoa que não conhecesse o lado sombrio ficaria apavorada com aquela imagem, mas ele não. Rafael precisava de ajuda, e, se ela chegasse através de um pentagrama, não ia fazer a menor diferença. Proteção era proteção."
Inicialmente o autor nos apresenta uma narrativa infantil, em que Rafael é sempre colocado como vítima e os problemas de outras pessoas não tem importância. Apesar de nunca ter lido nada do André Vianco antes, já tinha ouvido falar muito bem dele e ficava me perguntando como alguém como ele poderia escrever algo assim? Até que um dia a ficha finalmente caiu: apesar de ser narrado em terceira pessoa, o livro ainda assim é narrado pela perspectiva do Rafael. E quando somos criança, não existem problemas maiores que os nossos. Simplesmente genial
Entretanto, desde o início da leitura eu estava preocupado do livro ter um desfecho previsível, e, infelizmente, este foi um temor que se confirmou. Todavia, isso não tira o mérito do autor pela história. Vianco, apesar de nos apresentar um final "comum", fez algo que eu ainda não tinha visto. Ele foi capaz de pegar séculos de rituais e transpor para a era da tecnologia, em que um ritual de invocação pode ser feito pela tela de seu celular. Se o diabo é tão esperto quanto dizem, por que ele também não se adaptaria a internet?
Autor: André Vianco
Editora: Giz Editorial
Lançamento: 2015
Páginas: 280
Avaliação:★★★★