11/08/2016

11 de agosto: Dia do "mas você SÓ estuda?"

O ENEM - que acontece nos dias 5 e 6 de novembro, anota aí - é um dos momentos mais decisivos e difíceis da vida de quem está finalizando o ensino médio e deseja ingressar numa boa universidade. Como hoje é o dia do estudante, resolvi falar um pouco sobre a experiência de realizar o exame, escolher um curso e as diferenças com que vocês vão se deparar nos primeiros dias como universitários.
Quando me lembro dessa época de vestibular, a primeira coisa que me vem à cabeça é a exaustão. Minha rotina era muito pesada e o descanso era mínimo - acordava todos os dias às cinco e meia para ir à escola, chegava em casa lá para uma da tarde, mal tinha tempo para almoçar e já ia estudar por conta própria até as seis, quando saia para o cursinho, e só chegava em casa depois das onze da noite. UFA!
Não era nada fácil e quando penso em todo o esforço que fiz naquela época fico até surpresa, nunca imaginaria que eu daria conta de passar por tudo isso sem desistir. Acho que toda essa dedicação veio principalmente pela minha consciência de que eu precisava entrar em uma federal, pois não teria condição financeira para bancar uma particular. Além disso, minha vida inteira só estudei em escolas públicas e, devido à menor qualidade do ensino, isso certamente era um dos grandes obstáculos.
No dia do exame em si eu, surpreendentemente, não estava muito nervosa. Acho que devo a isso o fato de ter realizado o exame no ano anterior, quando ainda estava no segundo ano do ensino médio, e já saber mais ou menos o que esperar e fazer. Recomendo muito fazer isso para se familiarizar com o processo e com o modelo da prova.
Quanto à escolha do curso, foi óbvia e ao mesmo tempo complicada. Eu sempre soube do meu amor pela psicologia e seus mistérios, mas existe toda aquela pressão para nos dedicarmos a cursos mais socialmente valorizados, tais como medicina e direito. Pensei a respeito do direito por muito tempo, passei um período visando letras e até química (QUÊ), mas não tinha jeito: a psicologia já tinha conquistado meu coração. 
Para quem tem muita dúvida na escolha do curso, eu recomendo fazer o teste vocacional do site Giro de Profissões (aqui) e visitar toda e qualquer mostra de profissões de que tiver notícia. Eu compareci na Mostra de Profissões da UFMG e, se eu já estava apaixonada pelo curso, foi aí que comecei a amar de vez - geralmente, os próprios alunos te apresentam um pouco do que você vai encontrar no decorrer da graduação. Além de ser uma ótima oportunidade de conhecer as instalações do lugar em que você almeja estudar.
Mas tenho que admitir: minhas fantasias sobre como seria a universidade eram completamente irreais. Não sei descrever exatamente o que eu esperava, mas quando entrei na minha sala (por sinal, uma aventura tentar descobrir qual era) eu quase quis voltar para casa, minha cama e ficar debaixo das cobertas em posição fetal. 
Era muita gente. Estava acostumada com salas de no máximo quarenta pessoas, todas na mesma faixa etária que eu e, de repente, me deparei com uma turma gigantesca composta por quase cem pessoas com idades que variavam de 16 a 150 anos (um pouco de exagero, talvez). Também fiquei extremamente confusa com o fato de que lá é você por você. Não vai ter professor te lembrando da data da prova, não vai ter o material na mão para você estudar, muito menos uma revisão do que vai cair na prova. Bem pelo contrário. Já vai se preparando para correr atrás de referências você mesmo e tentar tirar alguma coisa de uma aula de três horas de duração - com o professor falando, falando, falando... e falando mais um pouco.
A faculdade não é a maravilha que muita gente parece achar. Não é resumida em festas, bebidas e flertes. É, sim, ter que estudar três horas para cada uma hora de aula assistida. Perder noite de sono tentando concluir trabalhos dantescos que valem metade de sua nota da disciplina. É ter apenas uma prova em tal matéria, cobrando todo o conteúdo do semestre (que muitas vezes pode não ter sido apresentado devidamente ou não compreendido - por uma falta de disponibilidade do professor para tirar uma dúvida). Aquilo ali é uma guerra: uma disputa entre aquilo que você acha que sabe e o vasto desconhecido, entre viver um pouco ou se dedicar plenamente ao currículo acadêmico.
É, meu amigo, não vai achando que ter um diploma é coisa fácil não. É conquistado na base de muito sacrifício e dedicação. Mas, no final, tudo vale a pena se é por amor.