10/08/2016

[Imaginação em Tela] A Garota Dinamarquesa

Não recomendado para menores de 14 anos.
Cinebiografia de Lili Elbe (Eddie Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Em foco o relacionamento amoroso do pintor dinamarquês com Gerda (Alicia Vikander) e sua descoberta como mulher.

Einar Wegener é um pintor dinamarquês de considerável sucesso conhecido por seus diversos quadros de uma paisagem de sua infância, casado com a também pintora Gerda Wegener que busca o reconhecimento de seus retratos. Há anos eles dividem o mesmo ateliê, trabalhando lado a lado numa relação marcada por admiração e incentivo
Devido a ausência de uma das modelos de Gerda, ela pede ao seu marido que pose para ela vestido de mulher. É a partir deste momento de que Einar irá se (re)descobrir como uma mulher presa em um corpo masculino. Em meio a visitas ao acervo do teatro local e a produção de pinturas de Einar caracterizado como mulher, floresce então a mulher Lili Elbe.
Mesmo que Gerda seja uma mulher à frente de sua época - a trama se passa entre o final da década de 20 e início de 1930 - não seria nada fácil lidar com tal situação, tanto por subitamente perder o seu marido quanto pela falta de compreensão da transsexualidade. Ao buscar ajuda médica, os prognósticos variaram desde perversão até esquizofrenia.
Após muitas tentativas frustradas de ajuda, Lili e Gerda encontram a salvação: um médico que pesquisa casos de "homens diferentes" como Einar e que a oferece a cirurgia de redesignação sexual. Os riscos são altos, pois a cirurgia nunca foi feita e a melancolia que Lili sente a cada dia que vive como homem não contribui para suas chances.
Em um primeiro momento, me emocionei muito com o filme e tive uma opinião extremamente positiva. Eddie Redmayne foi incrível no papel de Einar/Lili, transmitindo diversos sentimentos ao telespectador em olhares e linguagem corporal. Devo admitir, no entanto, uma constatação que me deparei durante minhas pesquisas para essa postagem: Alicia Vikander, atriz que representa Gerda, rouba completamente a cena - o filme, no final das contas, acaba sendo muito mais sobre ela do que sobre a história verídica da pioneira da cirurgia de redesignação sexual. Além de ter muito mais tempo de tela, o roteiro fez com que o arco dramático da personagem tivesse muito mais nuances do que o de Lili, o que fica bem claro ao notar a rapidez com que trataram o processo cirúrgico e a experiência de Lili após sua realização.
Depois de muito refletir sobre o que eu vi, percebi algo muito importante: contar a história de uma pioneira de tal importância sob um ângulo romântico, dando foco para o conflito de Gerda, não é dar visibilidade para a luta transsexual. O filme peca ao mudar muito a história da verdadeira Lili Elbe e peca, principalmente, em não incluir em seu elenco nenhum ator/atriz transgênero. 
A Garota Dinamarquesa se aproveita de uma história forte para criar um filme superficial sobre uma das figuras mais representativas de um movimento que vem ganhando força a cada dia. Como sempre, o interesse gira em torno dos conflitos de quem tem que "aceitar e conviver" com um transgênero e não ao redor da luta - interna e externa - do próprio indivíduo.

Lançamento: 11 de fevereiro de 2016
Duração: 1h 59min
Direção: Tom Hooper
Gênero: Drama, Biografia

Até a próxima!