05/08/2016

[Resenha] O Teorema Katherine


Quando se trata de garotas (e, no caso de Colin, quase sempre se tratava), todo mundo tem seu tipo. O de Colin Singleton não é físico, mas linguístico: ele gosta de Katherines. E não de Katies, nem Kats, nem Kitties, nem Cathys, nem Rynns, nem Trinas, nem Kays, nem Kates, nem - Deus o livre - Catherines. K-A-T-H-E-R-I-N-E. Já teve dezenove namoradas. Todas chamadas Katherine. E todas elas - cada uma, individualmente falando - terminaram com ele
As pessoas no geral não sabem, mas há uma grande diferença entre ser um gênio e ser um prodígio, assim como há entre Katherines e Catherines. Colin Singleton prefere a primeira opção em ambos os casos, mas parece que as coisas não vão muito bem para ele.
"O futuro jazia à sua frente, inevitável mas invisível."
Para começar, ele é um prodígio em fim de carreira. Existem estudos que dizem que o potencial máximo de um prodígio é alcançado no início da adolescência - e ele já passou dessa fase há um bom tempo. E, como se não bastasse, seus relacionamentos com as Katherines vão de mal a pior: ele namorou dezenove garotas com esse nome e todas elas terminaram com ele.
Colin acabou de levar o décimo nono fora e está no fundo do poço, deitado por horas com a cara no carpete (literalmente) e a sensação de que nunca vai ser realmente importante - nem para uma Katherine nem para o mundo, visto que seu momento eureca teima em não surgir. Hassan, seu melhor amigo, o convence - não sem um esforço considerável - a sair em uma viagem de carro sem destino ou data para voltar, para que ele possa superar a situação com a Katherine XIX e desencanar do lance do gênio.
"De repente, ele não era mais o namorado de ninguém nem o gênio de ninguém. E isso - utilizando o tipo de expressão complexa que se esperaria ouvir de um prodígio - era um saco."
O que os garotos não esperavam era que iam parar numa cidade rural de Tennessee chamada Gutshot, recebidos e abrigados por uma mulher e sua filha - cujo convívio ensinará a todos grandes lições sobre a vida e o que é de fato importante nela, o valor de uma amizade sincera e a imprevisibilidade do amor.
Esse livro chamou minha atenção pela primeira vez há alguns anos, quando o dei de presente para uma amiga. Achei o título tão interessante e a sinopse tão diferente, que quis muito manter o livro para mim. Acabou que o tempo passou e eu tinha até me esquecido dele quando li outro livro do autor, A Culpa é das Estrelas - cuja experiência foi tão boa que eu quis muito conhecer outros títulos de John Green. Logo, quando encontrei O Teorema Katherine e Cidades de Papel não deu outra: comprei.
"Chorar é algo a mais: é você mais as lágrimas. Mas o sentimento que Colin carregava era um macabro choro ao contrário. Era você menos alguma coisa."
Os primeiros capítulos são bem arrastados e o Colin é simplesmente um personagem antipático. Não fui com a cara dele a princípio e só lá pra metade da trama essa péssima impressão começou a ser desconstruída. Como que para compensar, John Green caprichou nos outros personagens: Hassan é uma piada e eu me divertia em todos os momentos que ele estava presente, e Lindsey é simplesmente encantadora com sua personalidade forte e sacadas inteligentes.
Vi muita gente no Skoob se preocupando em relação à matemática. Não se preocupem. Ela não será predominante e só o básico do básico vai aparecer durante a narrativa, mas com a escrita fluida característica de John Green. Existe um apêndice na obra com explicações mais detalhadas e de fácil entendimento a respeito de teoremas, para os mais curiosos. Outro ponto forte do enredo são as notas de rodapé: elas são frequentes e como se fossem anotações mentais do próprio Colin, algumas são muito cômicas e deixam a leitura ainda mais leve.
"É possível amar muito alguém, ele pensou. Mas o tamanho do seu amor por uma pessoa nunca vai ser páreo para o tamanho da saudade que você vai sentir dela."
Creio que o fato de eu ter amado tanto meu primeiro contato com o autor acabou tornando as coisas um pouco difíceis dessa vez. O livro não conseguiu me encantar ou me prender de primeira, a leitura demorou muito para tomar um ritmo... Mas quando pegou no tranco foi de uma vez só. É um livro recomendado para ler sem altas expectativas, apenas pela diversão de acompanhar esses dois amigos na sua jornada de descoberta de si mesmos.
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Lançamento: 2013
Páginas: 304

Até a próxima!