30/09/2016

Sobre ausência, imprevistos e mudanças

A vida é imprevisível. Nunca sabemos quando as coisas vão ficar de cabeça pra baixo e raramente estaremos preparados para isso. Quando acontece, no entanto, não adianta ficar parado em desespero, vendo tudo o que você construiu ir embora - cedo ou tarde, teremos que abandonar a letargia e ir em direção à mudança. 
Esse movimento não é fácil: o desconhecido nos assusta e temos que abandonar muito daquilo que era familiar - seja sua família, o lugar onde mora ou até mesmo o blog que é parte de quem você é. A postagem de hoje vai ser ao mesmo tempo um desabafo e um pedido de desculpas: acontece que não consegui conciliar toda a confusão que minha vida virou com a atualização do Paraíso da Leitura, e eu sinto muitíssimo por isso.
Para quem acompanha o blog, não é segredo que passei por uma depressão grave nos últimos anos. Faço tratamento psicoterápico e minha recuperação vai muito bem, obrigada. No entanto, ainda sou muito sensível a mudanças bruscas, qualquer instabilidade me abala de uma forma muito mais perceptível do que o normal. Como se não bastasse, fiquei bastante emocionada com as lembranças tragas por toda a campanha ao redor do Setembro Amarelo - mas essa é uma história para outra hora.
Muitas coisas aconteceram, e uma atrás da outra - sem o direito de tirar um tempo para respirar e refletir sobre tudo o que estava sendo jogado para cima de mim. Um grande mal-entendido acabou separando meus amigos, decepcionando muita gente e me deixando completamente sozinha, sem ter para onde correr. O momento mais difícil foi, sem sombra de dúvida, passar por um surto sem ter quem me apoiasse ou compreendesse, sofrer o preconceito que sofrem todas as pessoas com transtornos mentais - afinal, ainda somos muito incompreendidos, e aquilo que passamos é classificado como "para chamar a atenção" ou "falta do que fazer".
Não consegui lidar. Me fechei em um casulo difícil de penetrar por qualquer um que não soubesse como fazer isso. Devo admitir que talvez eu não estivesse aqui se não fosse pelo Pedro que, mais uma vez, salvou minha vida de formas que ele nem sequer imagina. Peço desculpas por todo o desabafo - não acho que seja do interesse de vocês ouvir sobre os problemas alheios, todo mundo já tem muito com o que se preocupar. Mas eu realmente achei que devia isso a vocês, uma justificativa por ter abandonado completamente o blog durante esse mês e deixado todos vocês na mão, de certa forma. Espero que me perdoem e, se não for pedir muito, fiquem do meu lado durante esse período difícil.