20/11/2016

Filme | Animais Fantásticos e Onde Habitam

O mundo mágico está vivendo uma era de tensão: os ataques do bruxo Grindewald pela Europa espalham o terror e ameaçam expor a existência da magia para os humanos - o que culminaria em uma guerra de proporções inimagináveis. Para evitar o desastre, medidas drásticas são tomadas: leis rígidas e retrógradas são criadas, e o bruxo que ousar desafiá-las receberá nada menos do que pena de morte.
Newt Scamander é um magizoologista britânico que viaja o mundo para estudar as criaturas mágicas que tanto o fascinam, reunindo todo o seu conhecimento em um livro, Animais Fantásticos e Onde Habitam, na esperança de diminuir a ignorância e preconceito do mundo bruxo para com as criaturas - e, assim, protegê-las da extinção. Seu próximo destino é Nova Iorque, mas ele não imaginava que se depararia com uma situação complicada: a criação e porte de animais mágicos havia sido proibida, devido aos riscos de expor a sociedade bruxa.
No meio de um tumulto causado pela escapulida de Pelúcio - um monstrinho simpático com uma certa obsessão por coisas brilhantes -, Newt acaba acidentalmente trocando sua mala repleta de criaturas mágicas pela mala de um não-maj ("em Londres, nós os chamamos de trouxas") que, desavisado, deixa que alguns desses animais saiam para as ruas de Nova Iorque. Com a ajuda da ex-auror Tina Goldstein, eles terão que correr contra o tempo para recuperar as criaturas e descobrir o que, ou quem, tem causado caos e destruição na cidade.
Devo admitir que, quando o filme foi anunciado, eu não fiquei na expectativa nem ansiosa. Assim como com Harry Potter and The Cursed Child, eu tive medo de que não passasse de uma forma de lucrar, de que estragasse o mundo mágico que eu tanto amo. Mas quando o filme estreou, não deu outra: lá estava eu, borbulhando de felicidade e curiosidade, na fila do cinema. E eu não me decepcionei.
Um ponto que eu quero dar bastante ênfase é que esse filme não tem a cara de Harry Potter. Claro que reencontramos os elementos preferidos do querido mundo mágico, porém a essência dessa história é diferente - de uma forma que sinto, mas não consigo explicar. Um dos maiores receios dos fãs era de que Animais Fantásticos se mostrasse voltado para o público mais jovem e, embora a trama principal em si seja de fato bem simples e infantil, o enredo possui questões mais complexas imbricadas que cumpriram seu papel em manter o tom sombrio e adulto dos último filmes da saga original.
Newton Scamander é um típico lufano: simpático, sensível e um tanto quanto excêntrico em seus modos. O magizoologista evita olhar nos olhos de outras pessoas, prefere a companhia de suas criaturas do que de humanos e foi expulso de Hogwarts durante sua formação. Eddie Redmayne foi perfeito para o papel. Eu já admirava o ator desde A Garota Dinamarquesa, e consegui me surpreender novamente com sua atuação: ele deu vida ao personagem com sua dedicação a detalhes mínimos, como o brilho no olhar quando está na companhia de suas criaturas mágicas e seu jeito um tanto quanto desengonçado.
Não só o protagonista, mas todo o grupo é cativante à sua própria maneira. Jacob, o não-mágico, foi essencial ao exercer a função de alívio cômico - atuação brilhante do Dan Fogler, com reações hilárias em momentos de tensão -, além de garantir que o espectador, fosse fã ou não, estivesse por dentro do contexto mágico atual. Afinal, como trouxa, ele foi apresentado a um novo mundo, possuía muitas dúvidas e essa foi uma boa solução para tornar o filme compreensível para aqueles que não tiveram tanto contato com Harry Potter.
Eu me emocionei muito. Ri muito. E sai do cinema com aquela sensação boa no peito de que não, não acabou.

Até a próxima!