18/01/2017

Book2Movie | Morte e Vida de Charlie

Há pouco tempo, li Morte e Vida de Charlie St. Cloud - que estava há um bom tempo pegando poeira na minhas estante, por não me chamar muita atenção. Na época em que o filme foi lançado, eu nem sequer ouvi falar dele e só depois de ler decidi assistir ao longa (depois de conferir se ele estava disponível no Netflix, claro). Hoje vou trazer para vocês algumas das diferenças entre as obras e já adianto... acho que esse é um daqueles raros casos em que o filme é melhor do que o livro.
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Prefiro beisebol

No livro, Charlie e Sam são fãs incorrigíveis do Red Sox, um time de beisebol. O amor por esse esporte é, inclusive, uma das coisas que une os irmão - que jogam juntos todos os dias. No filme, porém, o esporte que eles praticam juntos é o velejo - participando até mesmo de competições.
Acho que essa mudança pode ter ocorrido para aproximar Charlie de Tess (que, na obra original, está prestes a sair velejando pelo mundo - é o que ela mais ama), mas acho que não é uma boa justificativa.

Morte e Vida

Existem muitas diferenças, menos significativas, na história deles em geral. Por exemplo, no livro a diferença de idade entre os irmãos era menor (15 e 13 anos), e acho que isso tornava a relação deles mais pura e "de igual para igual". No filme, Charlie já está terminando o ensino médio e vai para a faculdade em breve. Além do mais, o tempo que se passa entre o acidente e o romance com Tess é menor: doze anos no livro, apenas cinco no filme. Charlie também é muito diferente no longa, tendo muitas garotas dando em cima dele e entrando em brigas - sendo que o personagem de Ben Sherwood é bem reservado e pacífico. E, por sinal, CADÊ O CATIORO?

Você é real?

Na obra original, Charlie consegue diferenciar aqueles que estão do outro lado dos vivos. E isso era, de fato, importante para o próprio enredo... Para quem não leu o livro, não fez diferença nenhuma. Zero. Mas eu senti falta disso.

Moral da história 

Ben Sherwood passa uma mensagem sobre espiritualidade muito profunda com seu livro: ele diz muito sobre o outro mundo, sobre deixar o passado ir e viver cada segundo como se fosse o último. O filme pecou miseravelmente ao focar seus esforços exclusivamente no romance entre Tess e Charlie, deixando as questões espirituais em segundo plano.

Toque de recolher 

No original, Sam aparece no pôr-do-sol e fica até o amanhecer na companhia de seu irmão. No filme, assim que anoitecia ele ia embora - isso acabou fazendo com que o personagem fosse pouco trabalhado e isso afetou muito a construção do relacionamento entre irmãos.

Alerta de spoiler

No próximo parágrafo, vou comentar diferenças com alguns spoilers, tanto do livro quanto do filme, ok? Depois não digam que não avisei, rs.
No filme, Tess descobre sobre o "ritual" do Charlie com o fantasma do Sam de uma forma muito nada a ver e sem graça. Ela simplesmente dá as caras ali e nem parece surpresa de ver alguém que deveria estar morto. Já no livro, foi a partir de um encontro casual com Sam que ela percebe que pode ter algo muito errado. O final do filme também mudou muito a trama: Tess não ficou em coma (pouco provável, considerando o tempo que ela ficou perdida) e a última conversa de Charlie com Sam não foi tão emocionante.
Fim do spoiler.

Se formos considerar a fidelidade da adaptação, acho que seria pouco favorável ao filme. Mudaram algumas coisas desnecessárias e outras que descaracterizaram um pouco a história. No entanto, considerando as obras separadamente, acho que o filme se dá melhor do que o livro - especialmente porque o enredo na obra de Ben Sherwood é muito lento. O filme, embora não seja tão diferente assim em questão de ritmo, acaba sendo mais fluido: afinal, é uma hora e meia para as mais de 300 páginas de um livro, os acontecimentos acabam por parecerem mais próximos. 

Vocês já leram o livro ou viram o filme? O que acharam das mudanças? Me contem nos comentários!