09/01/2017

Joyland | Stephen King

Quando somos jovens, o mundo parece um lugar cheio de certezas e são inúmeras as possibilidades. Podemos nos encantar com um primeiro amor - e pensar que ele vai durar para sempre. O baque é grande quando descobrimos que a vida não é bem assim: e a primeira vez que alguém parte o seu coração é um bom choque de realidade. Devin Jones, nosso narrador, sabe bem como é: anos mais tarde, ele conta para o leitor como o término de seu romance o levou diretamente para uma história de fantasmas.
Em 1973, aos seus 21 anos de idade, Devin Jones era um universitário que só pensava em uma coisa: Wendy, sua namorada há mais de dois anos. Quando ele recebe a notícia de que não iam passar o verão juntos - aparentemente, a companhia da detestável amiga era mais interessante -, Dev decide encontrar um novo emprego inusitado para impressioná-la (quem sabe assim eles não chegavam a fazer aquilo). 
"Aquele outono foi o mais bonito da minha vida. Mesmo quarenta anos depois, ainda posso dizer isso. E nunca fui tão infeliz, também posso dizer."
É com isso em mente que o jovem, com suas escassas economias, faz uma pequena viagem para uma entrevista de emprego em Joyland: um pequeno e tradicional parque que luta diariamente para não ser esmagado pelas Disney's da vida. Por algum motivo, Devin se sente atraído por aquele lugar e ele não hesita em aceitar a oportunidade de vender diversão - por mais que seu papel de faz-tudo não fosse lá tão glamouroso.
Pouco tempo depois, o mundo de Jonesy (como passou a ser chamado no parque) vira do avesso: não foi preciso uma conversa, ou aviso nem nada do tipo. Ele simplesmente soube. Sua primeira desilusão amorosa e, com toda a certeza desse mundo, longe de ser a última. Jovem como era, sem parâmetros para o verdadeiro sofrimento... Devin se tornou um tanto quanto melancólico. Tudo o que tinha era seu trabalho no parque, os exaustivos turno na fantasia e um mistério que se formava.
"As pessoas pensam que o primeiro amor é fofo e que fica ainda mais fofo depois que passa. Você já deve ter ouvido mil músicas pop e country que comprovam isso; sempre tem algum tolo de coração partido. No entanto, essa primeira mágoa é sempre a mais dolorosa, a que demora mais para cicatrizar e a que deixa a cicatriz mais visível. O que há de fofo nisso?"
Tal qual qualquer outro parque, Joyland também tinha suas lendas urbanas. De acordo com os boatos, um dos brinquedos seria assombrado pelo fantasma de uma garota que fora brutalmente assassinada: e quem a vê nunca esquece de seus pedidos desesperados de socorro. Quando Devin e seus amigos do parque, Erin e Tom, descobrem que aquilo é mais do que uma história para assustar crianças, eles se vêem compelidos a descobrir mais.
Quem me acompanha no twitter já sabe há um bom tempo que eu estou participando da Maratona Literária de Verão - esse ano conhecida como Torneio MLV - organizada pelo Victor Almeida. Postei no canal a minha TBR e vocês podem conferir clicando aqui. Eu aproveitei a maratona para colocar em prática um projeto antigo, de ler livros do Stephen King: é um autor cujas obras sempre me interessaram mas que, por algum motivo, eu nunca tive a iniciativa de ler.
Para quem não conhece, o Torneio MLV tem seis desafios e os participantes devem (ou não, ninguém é obrigado) cumprir seis desafios. Esse livro foi escolhido para o desafio 4, que pedia um livro com capa feia ou que não te atraía. O trabalho da Suma de Letras foi muito bom, mas a capa não despertava o meu interesse para a história - e, depois de ler, fiquei um pouco mais decepcionada porque retrata uma cena que não aconteceu na história.
Voltando ao assunto. Joyland traz um enredo interessante que fica no meio termo entre terror e suspense - e acaba por não satisfazer, de certa forma, nenhum dos dois aspectos. Creio que tive essa impressão por ter uma expectativa muito alta em relação ao horror, devido à fama que Stephen King construiu para si. Quando percebi que a obra se tratava de um suspense com leves pitadas de terror, senti falta de uma construção gradual da tensão no decorrer da trama: senti que toda a tensão ficou concentrada em poucos capítulos - mas devo dar o mérito de que mal conseguia respirar lendo tais capítulos!
Vale pontuar também que o enredo é muito lento: até mais da metade do livro eu tinha a sensação de que nada havia, de fato, acontecido. Porém, a narrativa de King é tão fascinante que mesmo assim eu estava encantada pelas suas palavras, pela forma como ele conduzia o texto - mesmo que estivesse apenas descrevendo como Devin limpava um dos brinquedos do parque.
Joyland é um livro muito bom - por favor, não pensem o contrário! Só penso que talvez não tenha sido o melhor cartão de visitas de Stephen King para mim, considerando que eu esperava o medo que sempre prometem em relação às obras do autor. É, no entanto, uma ótima escolha para quem quer ler King mas não se arrisca por não gostar do gênero de terror - aqui vocês encontrarão mistério, lições de vida e uma boa dose de emoções.
"Só posso dizer o que você já sabe: alguns dias são preciosos. Não muitos, mas acho que em quase toda vida há alguns. Aquele foi um dos meus, e, quando estou triste, quando a vida dá uma rasteira e tudo parece ruim e sem graça, (...) eu volto a ele, ao menos para lembrar a mim mesmo que a vida nem sempre arranca nosso couro."


Vocês já leram Joyland ou outros livros do Stephen King? Me contem nos comentários!