22/04/2017

Cry Baby: dificuldade em se relacionar

Bom dia, libélulas choronas! rs

Queria começar dizendo que amei escrever minhas teorias sobre a obra da Melanie Martinez e que estou extremamente satisfeita com o feedback que eu recebi tanto nas redes sociais quanto na vida: uma pessoa chegou a dizer que virou fã da Melzinha depois de conhecê-la por meio da minha postagem (te amo, elisa, você fez o meu dia)!

Fiquei muito ansiosa para trazer a continuação para vocês e admito que, por mim, teria saído antes... mas lembrei que ainda não saiu o clipe de Mad Hatter, o que atrasaria bastante a última postagem caso eu escolhesse uma frequência semanal - então vai sair sábado sim, sábado não! Relembrando os temas propostos:

Nós deixamos a Cry Baby em uma situação bem horrível: ela acabou de presenciar o assassinato do pai e de sua amante, além de ter sido drogada pela própria mãe para não "causar problemas". O que será que aconteceu com a garota depois dessa fatalidade?

Carousel

Admito que Carousel foi um fator complicador na consistência da minha teoria: foram várias as explicações que tentei dar pra esse clipe, mas nenhuma parecia ser a certa, sabe? Foram muitas horas de indignação reflexão para chegar à conclusão que vou apresentar para vocês. 
É de se imaginar que as drogas no organismo infantil tenham um efeito muito mais prejudicial e duradouro - e isso explicaria o fato da Cry Baby estar completamente sem expressão e ter alucinações durante essa parte da sua história. O cara que aparece de máscara e o musculoso por quem a garota aparentemente se apaixona seriam, pasmem, a mesma pessoa: um assistente social. 
No caso, Cry Baby teria se iludido não pelo amor do boy, mas pelas promessas de que tudo ficaria bem: de que ela seria levada para um lugar melhor, longe de sua família destrutiva e das experiências que teve em seus poucos anos de vida. O homem mascarado, por outro lado, representaria as reais intenções do assistente social: cumprir o seu trabalho de levá-la para um orfanato: venha, pegue minha mão/ e ande pela terra da diversão/ tão alto, muito alto no festival.
As outras pessoas que aparecem no vídeo seriam as crianças do orfanato: e são representadas como "aberrações" porque é assim que a Cry Baby vê a si mesma e aos outros que viveram histórias semelhantes de abuso e negligência familiar. Ela também fala sobre a dificuldade de conseguir uma nova família: estes cavalos são muito lentos/ estamos sempre nessa distância/ quase, quase, nós somos um show de horrores.

Um adendo: para quem não sabe, Carousel foi música-tema de American Horror Story! Vocês já viram a série? Ainda não despertou muito o meu interesse 😅

Alphabet Boy

Em Alphabet Boy, vemos Cry Baby no orfanato e sendo "perturbada" por um garoto: sempre mirando aviões de papel em mim quando está por perto/ você me constrói como blocos de brinquedo só para me derrubar/ você pode esmagar minha bengala doce, mas nunca vai me ver chorar. Este é o Johnny: aparentemente mais velho, alfabetizado e fica enchendo o saco implicando com a Cry Baby por ela não saber uma coisa ou outra. Eles crescem juntos, como podemos ver em: eu não sou uma criancinha agora/ me veja ficando grande agora/ soletre meu nome na geladeira agora/ com seus brinquedos de alfabetização.

Soap e Training Wheels

Em Soap, vemos que Cry Baby se apaixonou por Johnny. Toda a musica gira em torno de uma metáfora: a banheira seria como o relacionamento deles e quando ela transborda é porque a garota "falou demais", no sentido de revelar muito os seus sentimentos - acho que acabei de me lembrar de algo/ eu acho que deixei a torneira aberta/ agora minhas palavras estão enchendo a banheira. 
Além disso, ela pensa que Johnny vai se afastar assim que perceber as intenções de Cry Baby: querido, você está apenas se encharcando nelas/ mas eu sei que você vai sair no minuto/ em que você perceber todos os seus dedos enrugando. Ela está tentando ser sutil e não assustá-lo... mas é tão difícil controlar os sentimentos, não é mesmo? Cry Baby está dentro da banheira, se abrindo completamente: estou cansada de ser cuidados, ponta dos pés/ tentando manter a água quente/ me deixe embaixo de sua pele/ uh oh, lá vai/ eu falei demais e transbordou/ por que eu sempre derramo?
Em Training Wheels também pode-se perceber o uso de uma metáfora para simbolizar o relacionamento com Johnny - que ainda usa as rodinhas da bicicleta, como se ele ainda não tivesse se entregado completamente: as rodinhas não estão nem tocando o chão/ você está com medo de tirá-las, mas elas estão tão desgastadas agora/ eu prometo não empurrar você direto para a terra/ se você me prometer que irá tirá-las primeiro.
Podemos perceber, nessas duas músicas, o tanto que a história de vida de cada um influenciou na forma como eles se relacionam com o outro: Cry Baby aparenta ser carente e precisar muito de atenção e amor, enquanto Johnny se afasta de qualquer tentativa de aproximação: você tem pedalado sobre duas rodas toda sua vida/ não é como se eu estivesse pedindo para ser sua esposa/ eu quero te fazer meu, mas isso é difícil de dizer/ isto está saindo de um jeito meio brega?


O que vocês acharam dessa parte da teoria? Me contem nos comentários!