26/04/2017

Dia 4 | Carta ao meu irmão

Esta postagem é parte do projeto 30 Days Letter Challenge, para saber mais e ler outras cartas clique aqui.



Oi, maninho.
Como estão as coisas aí em casa?

Sabe, eu queria te dizer algumas coisas. Sei que você ainda é novo demais para compreender tudo - ou talvez eu só esteja negando para mim mesma o quanto você cresceu - mas espero que guarde essa carta com carinho e leia novamente daqui alguns anos. Quem sabe até lá não seja tarde demais para a gente...
Eu lembro de quando você surgiu na minha vida. Nas nossas vidas. Do dia em que mamãe sumiu por horas e voltou com um embrulho nos braços, uma coisinha tão pequena e que trouxe tanta preocupação. Você nasceu muito doentinho e teve que passar tempo demais no hospital, lembro da tensão no ar mas não lembro exatamente de qual era o problema. Eu tinha só sete anos. 
Só fui sentir o baque de ter um irmão quando você veio para casa definitivamente. Eu, que sempre tive as atenções todas para mim, me vi obrigada a deixar minha necessidade por atenção de lado por causa de um serzinho que não parava de chorar. É meio feio, mas eu fiquei ressentida. E carreguei esse sentimento dentro de mim por muito tempo - mais do que você imagina.
Me machucou profundamente todas as vezes em que você foi tratado com mais amor, carinho e preocupação - mesmo que eu me esforçasse ao máximo para ser quem nossos pais queriam que eu fosse. E eu te culpei por isso, mesmo que você não tivesse controle algum sobre a situação. Guardei mágoa por você requisitar mais atenção pelas suas questões individuais e nutri rancor por eles desvalorizarem minhas conquistas em prol das suas dificuldades. Eu fui colocada à sua sombra. 
Queria deixar claro, no entanto, que eu sempre te amei. Mesmo que brigasse com você e parecesse te odiar a cada segundo. Você é meu irmãozinho e eu sempre te defendi - menos de mim mesma, porque se alguém tem direito de rir da sua cara esse alguém é sua irmã mais velha. E eu sempre vou te defender. Mesmo que você agora já esteja mais alto do que eu e provavelmente já saiba se defender sozinho. 
Eu sempre vou te ver, no meu coração, como o irmãozinho que eu amei, mas não o suficiente. E espero que um dia possa me perdoar.

Com esperanças,
Laninha