11/04/2017

Filme | A Cabana

Da esquerda pra direita: Jesus (Aviv Alush), Mack (Sam Worthington) , Elouisa/Papai (Octavia Spencer) e Sarayu (Sumire)
Há alguns anos atrás, encontrei um livro que estava esquecido no meio de uma bagunça imensa de papéis e apostilas de estudo. Era um exemplar um tanto quanto surrado, mas tinha uma capa bonita e sua história me chamou a atenção. Eu era bem mais nova na época, mas lembro que minha tenra idade não impediu que eu me emocionasse profundamente com a história de auto-descoberta de Mackenzie.
Poucos dias atrás, no Clube do Livro BH XVI, eu tive a grande sorte de ganhar um par de ingressos para assistir ao filme. E foi algo curioso porque eu, por mim mesma, não teria ido ao cinema ver o longa - por motivos que vou esclarecer mais à frente nessa postagem. Para quem não sabe, A Cabana é uma adaptação do livro homônimo escrito por William P. Young, publicado no Brasil em 2008, que trata de temas como a espiritualidade, lidar com a culpa e perdoar - ao outro e a si mesmo.
Mack, independente de ter vivido uma infância traumática, é um feliz e carinhoso pai de família. Sua relação com Deus, no entanto, é um tanto quanto rasa - sustentada, principalmente, pela fé inquestionável de sua esposa, Nan. Em uma viagem de férias, uma série de eventos infortunados acaba por resultar no desaparecimento de sua filha caçula, Missy. Dias perturbadores se passaram até que encontram, em uma cabana no meio da floresta, o vestido vermelho que a garota estava usando no dia da fatalidade, levando a entender que ela foi brutalmente violentada e assassinada. Seu corpo, contudo, não foi localizado.
Da esquerda pra direita: Nan (Radha Mitchell), Mack, Missy (Amélie Eve), Josh (Gage Munroe) e Kate (Megan Charpentier)
Consumido pela dor e pela culpa de não ter sido capaz de salvar sua filha, Mack entra em decadência, se torna um pai ausente e passa a não acreditar que exista um ser superior - ou, pelo menos, não um que seja bom. Algum tempo depois, uma carta em sua caixa de correio pode mudar toda a sua vida: um convite para voltar à cabana onde sua alma ainda estava aprisionada, supostamente assinada por Deus. Ignorando os avisos de que poderia ser tudo uma brincadeira de mau gosto ou até mesmo uma armadilha ardilosa do criminoso, Mack vai até o ponto de encontro e o que ele vive lá o faz repensar tudo aquilo em que ele acredita.
Devo dizer que o principal motivo para estar receosa quanto a assistir o filme é exatamente a sua religiosidade. Eu estou em um momento da minha vida em que não sigo religião alguma e acredito naquilo que se encaixa melhor na minha visão de mundo - e essa equação certamente não inclui um ser onipotente, onisciente e onipresente. A Cabana, embora use das figuras comuns à religião, tenta ser parcimoniosa ao ampliar seus conceitos para toda e qualquer tipo de espiritualidade: representa o divino como um ser de diversas formas e nomes, que deseja acima de tudo a amizade de sua criação - e não sua obediência cega.
Mack e Elouisa
Embora o filme tenha cumprido o seu objetivo de emocionar e fazer refletir, faltou algo para mim. Fiquei especialmente decepcionada por sentir que todo e qualquer questionamento pertinente de Mack tinha respostas evasivas que desembocavam na mesma premissa de "você não entende o quanto te amamos". Tirando as argumentações muitas vezes fracas e os efeitos especiais mal-feitos, A Cabana  é um filme que vale a pena assistir - mesmo com suas mais de duas horas de duração.



Lançamento: 6 de abril de 2017 | Duração: 2h 13 min | Direção: Stuart Hazeldine | Gênero: Drama | Nacionalidade: EUA