14/06/2017

Dia 5 | Carta aos meus sonhos

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Uma vida de aventuras dentro de uma garrafa
Foto por The Wanderer's Eye Photography via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA
Eu os vejo, mas não posso tocá-los. Às vezes, nem sei se eles de fato existem ou se são apenas uma forma de manter a minha sanidade: uma razão para continuar vivendo dia após dia. Eu tenho sonhos? Há algo que aqueça verdadeiramente o meu coração só de pensar em realizar? Ou eu só peço sempre, à meia noite, a primeira coisa que me vêm à mente para manter a ilusão de que eu ainda sou necessária por aqui?
O fato é que é um tanto complicado nutrir sonhos quando você não tem certeza de que terá um futuro - e é exatamente isso que a depressão, ou a ansiedade, ou uma mistura cruel dos dois faz comigo. Eu me sinto presa no presente, torturada pelo passado e sem possibilidade de deslocar o meu olhar para o horizonte. Por medo. Estou simplesmente aterrorizada de que não haja nada lá, esperando por mim. Que seja apenas uma paisagem escura, sombria e abandonada - representando o restos que sobrarão de mim até lá.
Eu poderia dizer aqui que tenho sonhos. Aliás, poderia até mesmo listar alguns e passar por apenas mais uma garota que se esforça para achar o seu lugar no mundo - inclusive, era esse o teor do primeiro rascunho dessa carta. Mas eu não acreditaria em nenhuma única palavra. 
Essa sou eu. Uma libélula voando por aí sem rumo, assustada demais ao perceber que poucos dias - e esperanças - lhe restam.