21/06/2017

Dia 6 | Carta a um estranho

Esta postagem é parte do projeto 30 Days Letter Challenge, para saber mais e ler outras cartas clique aqui.
NÃO JOGUE ESSA CARTA FORA, POR FAVOR.
Me dê uma chance de me apresentar.

Bem, não literalmente. Afinal, acho que de nada lhe serviria saber o meu nome. No momento em que alguém ver essa folha jogada no chão e tirar um pouco de seu tempo para resgatá-la entre passos apressados com as tarefas de um cotidiano agitado, eu já estarei longe. E, sabe, o fato de não sabermos nada um do outro confere uma certa beleza a essa situação... não acha?
Ah, vamos, não faça essa cara de desgosto. Sei que estou ocupando preciosos minutos do seu dia mas você já parou para pensar o porquê desses segundos aglutinados terem tanto valor para você e o mundo? Eu já. Me perguntei inúmeras vezes onde me levaria a pontualidade em compromissos que nada me traziam além de uma sensação de que todos os dias eram uma repetição infinita da mesma série de responsabilidades. Não importava quão bem eu exercia o meu papel: eu teria que fazer exatamente a mesma coisa no dia seguinte. Era um ciclo sem fim e finalidade.
Não se preocupe, querido estranho, pois essa não é uma carta de desabafo. É uma carta de reflexão. Não te conheço, mas gostaria que você pensasse se é feliz. Se tem se dedicado para as atividade que aquecem o seu coração - ou apenas para o que dizem que vai encher a sua barriga. Você tem visitado as pessoas que ama? Nos últimos dias, perguntou sinceramente a alguém se estava tudo bem? Ou você já chegou naquele estágio em que nem sequer se dá ao trabalho de perceber as feições do rosto das pessoas, esperando o rápido e prático "tudo bem e com você?" que não exige muito de ti? 
Tire um tempo do seu dia de hoje para pensar nisso. E, se esta carta de alguma forma te ajudar a mudar, seja grato - não a mim, mas à bela vida que nos cerca e quase nunca notamos - e faça o mesmo por outro estranho.
Vamos mudar o mundo. Uma carta de cada vez.