28/06/2017

Dia 7 | Carta ao meu primeiro amor

Esta postagem é parte do projeto 30 Days Letter Challenge, para saber mais e ler outras cartas clique aqui.
Há quatro anos atrás, neste mesmo dia, o meu desejo da meia-noite se realizou. Eu sempre vou me lembrar de como eu observava você andar na minha direção, sorrindo com os seus amigos e vestindo aquela blusa vermelha que começou tudo. Não me leve a mal, o vermelho te cai bem... mas não tanto quanto o cinza. Sua cor preferida e predominante em suas roupas, que acabou rendendo aquele apelido que ao mesmo tempo que era fofo, brincava com o tamanho do seu nariz. Coalinha.
Eu sei que nós nos lembramos daquela época de formas completamente diferentes: eu sinto uma ternura imensa, e você só se recorda da dor. Eu sei. Te fiz sofrer, sem saber, de uma forma que nunca imaginei ser capaz - porque, acredite, apenas pensar na possibilidade de te fazer mal me machucava. Talvez seja difícil, mas eu peço para que se esforce: nunca duvide do amor que eu senti. Cara, eu te amei tanto que doía, transbordava. E isso me assustou muito porque eu não estava pronta para me abrir e me entregar tanto assim para alguém - ainda não estou.
Queria que você soubesse também que eu compreendo o seu afastamento, sua recusa por tantos anos em falar comigo novamente. Mas. também, quero que perceba que eu nunca desisti de você: não se passava muito tempo sem que eu me perguntasse se você estava feliz, sem sentir uma dor que eu não desejo a ninguém. Era o sofrimento de alguém que se arrependia amargamente de todos os erros que cometeu, que odiava todo aquele medo que culminou em decisões terríveis e que desejava ardentemente uma forma de voltar atrás. 
Ainda nessa época, eu te amei.
É um tanto quanto irônico a forma como as coisas acontecem quando menos esperamos. Foi assim quando você, por algum motivo, decidiu me dar uma nova chance. Você estava receoso e hesitante, mas o que machucou foi saber que você tinha razão. A pessoa que eu era... merecia essa desconfiança. Aos poucos, porém, você me deixou entrar. E, embora você talvez não entenda, foi assim que você me salvou. De mim mesma. Que continuava a, vez por outra, se odiar pelos erros do passado. Te mostrar que eu mudei e que tenho tentado ser uma pessoa melhor, foi a melhor forma não para que você me perdoasse - mas para que eu perdoasse a mim mesma.
E, no final das contas, eu ainda te amo. 
De uma forma que eu sequer consigo explicar. Só sei que se trata de um sentimento puro, de uma ternura infindável e de uma preocupação contigo que é quase física. Por favor, não interprete isso da forma errada: juro que não se trata do clichê da ex-namorada que ainda quer voltar com o cara. Sou só eu, querendo que você seja tão feliz quanto o mundo permitir porque você merece isso e muito mais. Sou eu, disposta a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para tornar isso possível. 
Hoje, quatro anos depois, o meu desejo da meia-noite - a honra de ter alguém como você na minha vida - se realizou novamente, de uma forma diferente e, se os deuses quiserem, mais duradoura. Obrigada... por tudo.