19/07/2017

Dia 10 | Carta à minha família

Esta postagem é parte do projeto 30 Days Letter Challenge, e hoje eu deveria escrever para alguém que eu não converso tanto quanto eu gostaria. Para saber mais e ler outras cartas, clique aqui.
Desde que me entendo por gente, fui uma pessoa um tanto solitária. Mesmo quando garota, costumava ficar sentada em um canto observando as outras crianças brincarem enquanto os adultos faziam as coisas desinteressantes que adultos fazem. Foi assim, olhando para a vida dos outros como uma forma de viver a minha própria, que eu percebi que sentia falta de algo - dos meus pais nas reuniões escolares, dos meus tios em datas comemorativas... da minha família reunida como deveria ser.
Ohana quer dizer família, e família quer dizer nunca abandonar ou esquecer... mas como poderia fazer uma promessa dessas, quando sinto que nem mesmo conheço as pessoas que supostamente são família? Quando não sei suas paixões e desgostos, quando não consigo travar nada mais do que um diálogo desengonçado nas raras vezes em que nos encontramos? Como posso amar incondicionalmente alguém que nunca está ao meu lado?
Sou eu que afasto vocês? Não seria algo inédito. É algo que eu faço, muitas vezes sem perceber. E, se for o caso, peço minhas mais sinceras desculpas. Nunca tive a intenção de expulsá-los - pelo contrário, queria mais do que tudo saber que posso contar com alguém e ter o meu coração preenchido por esse amor tão lindo que mostram em tantos livros e filmes por aí. Eu devo me esforçar mais? Correr atrás desses anos de atraso, conhecer e me deixar ser conhecida, para que esse sentimento flua pelos nossos laços de parentesco? Sinto uma estranheza com essa situação, porque sempre acreditei que o amor deveria surgir naturalmente.
Família... será que uma palavra tão forte e grandiosa dessas pode se resumir aos laços sanguíneos?