02/08/2017

Dia 12 | Carta a quem me fez sofrer

Esta postagem é parte do projeto 30 Days Letter Challenge e hoje eu deveria escrever para a pessoa que mais me causou sofrimento. Para saber mais e ler outras cartas, clique aqui.
Photo credit: 27147 via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND
Confiança é algo perigoso. E eu descobri isso da pior forma: confiando em você.

Para ser bem sincera, não sei o que te dizer nessa carta. O fato é que, desde que tudo aquilo aconteceu eu me esforcei ativamente para fingir que sua existência sequer é real. Para me convencer de que não passou de um sonho ruim, cujo trauma inevitável mais grave fosse apenas o medo do escuro. Para acreditar que tudo ficaria bem... Porque tem que ficar. A vida continuou, as pessoas continuaram, e eu não podia simplesmente ficar na inércia daquele momento desesperador, perdida no grande vazio em que eu me tornei. Eu não posso.

Mas, bem, uma hora ou outra eu terei que encarar a realidade, certo? Então essa carta é um bom começo como qualquer outro. E, embora eu esteja certa de que você já sabe disso, quero reafirmar: você me traiu da pior maneira possível. Me usou e manipulou de formas das quais nunca poderia imaginar ser vítima. Como pôde? Eu era só uma menina. Uma garota inocente e ingênua, atraída demais pela oferta do amor que não se sentia digna de possuir. Eu confiei em você. Cegamente. E esse foi meu maior erro.
Pode não parecer pelas frases cheias de amargura que você acabou de ler - quão provável é que você acompanhe meu blog, ansioso por capturar cada mínimo detalhe do estrago que fez? -, mas... eu já te perdoei. E, sinceramente, não demorou tanto quanto você pode imaginar. Me lembro da cena com perfeição e ela ainda me perturba: o choro que subia rasgando meu peito, o coração estraçalhado, a humilhação terrível, o ambiente sujo e meus gritos - ah, eles são a pior parte. "Eu te odeio", extravasava com todo o meu fôlego e força das minhas cordas vocais, "mas eu te perdoo".
Não sei o que te levou a cometer tais atrocidades - e, no seu caso, prefiro não saber. Mas, de certa, forma, o que sinto por você é pena. Afinal, nem consigo imaginar os sofrimentos a que um ser humano deve ser submetido para se tornar o que você é... um monstro.

Espero, de verdade, que a vida não te cobre pelos seus atos. O preço seria alto demais.