11/11/2017

Cry Baby: rejeição e loucura

teorias cry baby
FINALMENTE! Quem mais não consegue parar de esmagar o botão de replay do novo (e último) clipe desse álbum que vai deixar saudades? Embora nossa querida Melanie Martinez tenha enrolado bastante, a promessa da conclusão de Cry Baby em 2017 foi cumprida com sucesso - e aqui estou eu para o derradeiro desfecho dessa série de teorizações. Ansiosos? Eu estou!
Caso você tenha caído por uma toca de coelho nessa postagem, deixa eu te localizar: já há algum tempo venho me dedicado a procrastinar nas minhas tarefas da faculdade tentar entender a mensagem que a Mel passa por trás de cada uma de suas músicas peculiares - foi assim que surgiu uma série de postagens analisando clipe a clipe, que vocês podem conferir abaixo:
Só para relembrar as cenas do último capítulo: Cry Baby foi adotada mas, ao contrário do que se poderia imaginar, sua vida não parece que vai melhorar tão cedo... Seu pai adotivo a isola de seus velhos amigos e abusa dela - até que ela se vinga e o assassina com uma overdose de melatonina na receita de biscoitos. Sinistro.

Pacify Her

É bem óbvio que Cry Baby não continuaria com aquela família. De volta ao orfanato, vemos que ela se apaixona novamente - dessa vez por um garoto que já tem uma namoradinha: "cansado, menino azul caminha em minha direção / segurando a mão de uma garota / aquela vadia sem graça finalmente vai embora / agora posso tomar o homem dela". Me parece que a forma como ele é nomeado, menino azul, é importante para entender o que acontece nessa parte da vida da nossa bebê chorona. A cor geralmente é associada com tristeza - e faz sentido ao pensarmos que ele mesmo também está em um orfanato, podendo ter uma história de vida tão infeliz quanto a da própria Cry Baby.
Por outro lado, o azul também pode ser relacionado com a calmaria e tranquilidade, como na tonalidade do céu em um dia fresco de verão. Minha teoria é de que ele foi a primeira pessoa a não olhar a loucura de Cry Baby com um olhar enojado ou julgador: tanto que ele ri e se diverte quando ela, literalmente, "perde a cabeça". A aparente ligação entre eles, no entanto, não foi o suficiente para que ele deixasse a outra garota de lado... ela o seduz e Cry Baby é abandonada - de novo.

Mrs. Potato Head

Depois de ter sido trocada por outra garota, era de se esperar que a auto-estima da Cry Baby não ficasse lá grandes coisas: influenciada pela mídia que prega que ela deve se parecer com uma boneca, acompanhamos um pouco do desespero e sofrimento da garota ao tentar se encaixar em um padrão estabelecido - lembra vocês de alguma coisa? A sociedade atual, talvez? Todos os dias, meninas e mulheres se odeiam ao olhar no espelho porque não alcançam o ideal de perfeição que vêem todos os dias em todos os meios de comunicação. Essa meta quase impossível para a grande maioria das mulheres faz com que os sintomas da contemporaneidade sejam os transtornos alimentares e a depressão, além de um aumento exponencial de mulheres que procuram a mesa cirúrgica para corrigir suas "falhas" - e acabam morrendo no processo.
Para nossa alegria, no entanto, Cry Baby parece repensar e aceitar melhor ser quem ela é - creio que foi exatamente neste momento que a garota começou a se empoderar e aceitar a própria loucura. Inclusive, se vocês pararem para notar, nesse ponto da história Cry Baby está sendo medicada: logo depois de se maquiar e colocar a peruca, ela toma um pequeno comprimido. Mrs. Potato Head carrega uma das mensagens mais fortes de todo o álbum e é um dos meus clipes favoritos da cantora...

Mad Hatter

Antes de tudo: o que vocês acharam do clipe? Eu pirei total! Só depois de ver milhares de vezes que consegui acalmar os ânimos o suficiente para pensar em como as novas informações complementariam a teoria que eu vinha montando - e olha, acho que tudo teria sido um pouco mais fácil se eu estivesse com o material completo desde o princípio.
Acho que a revelação mais bombástica é referente às mulheres de olho preto que já tinham aparecido antes: a enfermeira que segurou Cry Baby no colo quando sua mãe a rejeitou e a atendente da loja na qual a garota compra cereais - e que, não sei se vocês lembram, foi quem providenciou o veneno que matou o lobo mau. Também podemos observar que os olhos de todos os bichos de pelúcia macabros são completamente pretos: essa característica nada mais é do que o sinal de que eles são tão... peculiares quanto a própria Cry Baby - e, de certa forma, os únicos que se importaram com ela de fato. É como se as pessoas com os olhos pretos enxergassem o mundo de outra forma: um pouco mais sombrio, mas um tanto mais real também... "E daí se sou louca? As melhores pessoas são"
Contrapondo com isso, temos os bonecos infláveis. Eu acredito que eles representam todas as pessoas que passaram pela vida de Cry Baby sem de fato estarem ali, que fingiam ser o que não eram apenas para manter a aparência de normalidade. A primeira dessas figuras que vemos é uma garotinha que, suspeito, seria ela própria: lembram de Dollhouse, em que ela posava junto com a família para uma foto sorridente de família de margarida enquanto nos bastidores tudo estava ruindo? Em Mad Hatter, Cry Baby destrói essa farsa ao sugar todo o ar que compunha o corpo da boneca - como se ela decidisse não mais se esconder atrás daquela máscara. Vemos também na forma de bonecos os pais da garota e uma família inteira que tenta "se alimentar" dela, o que creio ser uma referência aos abusos que ela sofreu nas mãos daqueles que a adotaram.
Um ponto que ainda está muito nebuloso na minha teoria é o papel do doutor Coelho: ele sempre está presente, mas eu não consigo ver conexão alguma nos momentos em que ele aparece ou em sua simbologia. Vocês têm alguma ideia sobre isso? Compartilhem comigo, por favorzinho. Em Mad Hatter vemos que ele tenta continuar medicando a Cry Baby, mas ela se nega a tomar os remédios - e isso é uma coisa sobre a qual eu gostaria de conversar com vocês. 
Como devem saber, eu curso psicologia - sou contra a medicalização e internação compulsória das pessoas com sofrimento mental, acredito verdadeiramente no potencial de um tratamento psicoterápico para auxiliar esses indivíduos. No entanto, não posso negar que existem pessoas e situações que necessitam de remédios, até para que a elaboração da situação possa acontecer. Se você, ou alguém que você conhece, estiver enfrentando uma situação difícil: procure um psicólogo. Esse profissional te dirá se você precisa de um acompanhamento psicoterápico concomitante com a terapia - os remédios serão as muletas que você vai usar enquanto recupera sua capacidade de caminhar por conta própria. E tá tudo bem, ok? Não é vergonha nenhuma fazer terapia, não é vergonha nenhum se medicar. Se cuidem ♡

Ufa! Por mais trabalhosas que essas postagens tenham sido, eu adorei essa série sobre o primeiro álbum de Melanie Martinez - e espero que vocês tenham curtido acompanhar minhas teorizações malucas. Me contem o que vocês acharam nos comentários!

VOA, LIBELINHA,
VOA 🙙