01/11/2017

Dia 13 | Carta sobre desculpas

Esta postagem é parte do projeto 30 Days Letter Challenge e hoje eu deveria escrever para alguém que eu gostaria que pudesse me perdoar. Para saber mais e ler outras cartas, clique aqui.
Photo credit: akigabo via Visual hunt / CC BY-ND
Desculpa. Des-culpa. Culpa.

A primeira versão dessa carta foi um longo texto, me desculpando por tudo o que eu consegui lembrar que eu tenha feito e que possa ter machucado alguém. Só alguns instantes antes de publicar, parei para observar a imagem que, por algum motivo subjetivo, eu escolhi para essa postagem - e subitamente fui atingida pela reflexão do que seria de fato pedir desculpas por algo e não apenas usar a expressão sem que ela carregue qualquer significado. Afinal, o que é a culpa?
Culpa. Substantivo complicado, não é mesmo? Pode tanto ser algo que te corrói por dentro, quanto algo que você simplesmente carrega sem se importar. Pode ser algo atribuído a alguém - por justa causa ou não. Pode ser crime. Pode ser emoção. Pode ser religião. Mas em que a culpa implica? E quando ela implica? Como poderíamos saber, se a culpa que eu carrego pode tomar uma forma completamente diversa da sua? Pior... como um mero "me desculpe" poderia abranger todas as variações da culpa - e quem decide isso? 
No final das contas, um pedido de desculpas nada muda. O passado não será reescrito porque alguém expressou arrependimento ou responsabilidade por algo que já aconteceu. Então, qual o sentido? É para livrarmos a nós mesmos de algum tipo de peso? É para tentar satisfazer de algum forma a exigência de outrem que te coloca nesse lugar de culpa? Por que nós pedimos desculpas se elas não tem efeito algum?
Talvez para que vocês possam compreender melhor o porquê de todas essa discussão seja importante que eu revele algo sobre mim. Eu me culpo muito. Por tudo. Por coisas fora do meu controle, por coisas bobas que ninguém mais se lembra - mas que, nos dias ruins, minha mente faz com que tomem estatuto de algo desumano que me acusa de ser uma péssima pessoa. Não achem essa posição muito radical, por favor: nos dias bons, sei que esses foram apenas dias ruins. 
Meu ponto é: vale a pena pedir desculpas se elas por si mesmas não operam alteração alguma no quadro geral das coisas? De que valem essas palavras se elas não são acompanhadas de ações que a reafirmem? E quão dispostos estamos a parar de usar o "me desculpa" como uma rota de fuga fácil das coisas que não podemos - ou não queremos - mudar?