04/12/2017

A culpa é do The Sims

Vamos de nostalgia? Quem nunca perdeu horas de vida bancando o arquiteto no The Sims que jogue a primeira pedra. Há pouco tempo, tive oportunidade de matar a saudade desse jogo que fez parte da minha adolescência - e, como eu imaginava, o vício falou bem mais alto do que o meu bom senso. Não quero nem começar a pensar em quantos textos da faculdade eu enrolei para criar minha Sim, nos livros que deixei para mais tarde para mobiliar um apartamento com a verba apertada, nem nas postagens que atrasei para... enfim! Dia desses um amigo me perguntou qual o sentido de jogar The Sims (e eu tenho quase certeza que foi uma pergunta sincera, não uma zombaria) então decidi falar um pouco sobre a importância desse game para mim. 

Os primórdios

Tudo começou em 2000 e alguma coisa... é difícil lembrar a data exata e precisar como diabos o jogo apareceu no meu console - tínhamos acabado de aposentar o PlayStation One pelo seu sucessor e meu primeiro contato foi com o segundo jogo da franquia, na edição Pets. Eu não conseguia decidir o que era mais divertido: criar a minha família e construir nossa casa do jeito que sempre sonhávamos ou simular meus livros preferidos. Certa vez, criei toda a família Cullen - e, talvez (só talvez), eu tenha substituído a Bella Swan por euzinha. Em outro momento, eu fiz uma casa com minhas personagens femininas preferidas (eu odiava criar homens no TS): Bella Swan, Zoey Redbird, e outras que já não me recordo. Bons tempos.
Por algum motivo, parei de jogar. Não sei se foi porque o CD arranhou de tanto uso (ou pelo mau uso, que também é possível considerando que eu sempre fui muito estabanada), se simplesmente cansei, se outro jogo tomou o lugar de queridinho ou... Bem, são muitas possibilidades. O que importa é que aconteceu e por mim estava tudo bem, até surgir em alguma conversa aleatória um comentário sobre o The Sims 4 estar muito melhor que o 3 - que eu nem sequer cheguei a testar. E esse foi o começo do fim. *relâmpago para aumentar o suspense* (off-topic: está realmente chovendo aqui, e eu morro de medo de relâmpagos e trovões)

Um passo sem volta

Supostamente, sou eu pegando Pipoca no colo enquanto a Aurora ( a gatinha que mora comigo atualmente) se morde de ciúme.
Pois é, minha alma foi entregue ao simulador de vida real novamente. Um fato curioso sobre o meu comportamento com relação a jogos: eu vicio nas coisas de uma forma absurda - mas desencanto tão rápido quanto me encantei. Isso significa que nos primeiros dias depois de adquirir The Sims 4, eu não fazia outra coisa além de jogar por horas e horas seguidas: madrugada adentro, enquanto comia, um olho no texto da faculdade e outro na tela (a queda na minha produtividade se deve única e exclusivamente aos criadores desse jogo). Mas devo admitir que o gás estava acabando... O jogo já não era a primeira coisa que eu abria quando ligava o computador. 
Até o pacote de expansão Gatos e Cães. Os bebês são muito fofinhos, as profissões ativas são divertidas, mas animais de estimação... É golpe baixo. Principalmente pelo fato de ter conhecido a franquia por meio do The Sims 2: Pets, a nostalgia de ter peludinhos comigo de novo era tentadora demais. Se tornava mais atrativa ainda porque eu poderia "conviver" novamente, de certa forma, com animais que eu já não tenho perto de mim - uma gatinha chamada Pipoca, para ser mais específica. 
Ela nunca foi minha: a "mãe" oficial dela era uma moça com a qual eu dividi apartamento. Mas ela quase nunca estava em casa, então eu tive muito tempo para me tornar uma humana confiável para essa gata um tanto quanto arisca. A Pipoca era do tipo de felino que não acha os meros mortais dignos que qualquer consideração - então ela simplesmente ficava observando meus movimentos à distância, com desprezo no olhar. Com o tempo, contudo, ela foi ficando cada vez mais carinhosa comigo, no nível de dormir na minha barriga e deixar que eu a carregasse no colo (com direito a enrolar o rabo no meu braço). Foi doloroso me separar dela - me mudei do apartamento e nunca mais a vi. Poder criá-la no The Sims, com tantos traços de personalidade para deixar mais fidedigno, teve mais significado do que eu consigo transmitir aqui (sei que pode parecer um pouco bobo, não me julguem).
Olha que mocinha formosa.

Lazer x Ócio

No final das contas, embora eu já esteja bem mais velha do que quando comecei e não tenha o mesmo "estilo" de jogo no simulador, The Sims está sendo mais divertido do que nunca - é como se morar sozinha em um apartamento humilde porém completamente meu no jogo compensasse um pouquinho o fato das coisas não irem exatamente como o planejado na vida real. A pergunta do meu amigo, contudo, continuava cutucando em algum lugar da minha mente: qual era o sentido de jogar algo que imitava a vida real? Dedicar meu tempo ao jogo não acabava por se tornar um obstáculo para conquistar justamente as coisas que eu almejava em jogo - visto que eu me dedicava menos a coisas ditas como "mais importantes"? A unica resposta que pareceu certa para mim foi que não precisa ter sentido, só precisa ser divertido
Acontece que, ultimamente, nossa sociedade da pressa e da produtividade colocou o lazer como algo fútil, uma perca do precioso tempo. O ócio é visto como contraprodutivo e julgado como preguiça, enquanto a sobrecarga e o estresse que vivemos cotidianamente não apenas são aclamados como esforço e trabalho duro, como incentivados desde muito cedo. Já na escola aprendemos que o dever vem antes da diversão e, juro, eu compreendo e concordo com a importância de nos comprometermos com nossas responsabilidades - mas me recuso a acreditar que devemos virar máquinas que se sentem culpadas por tirar alguns minutos para respirar e se divertir. É como se estivéssemos o tempo todo com a barra de diversão no mínimo e, olha, minha experiência de jogo no The Sims 4 mostra que o humor tenso por falta de atividades interessantes é bem prejudicial para qualquer outra ação que você queira exercer. Então relaxe, pegue um livro ou instale um jogo novo - você merece um tempo para fazer o que ama. 
Meu amor é um pouco Felícia até no The Sims (imagem extremamente fidedigna)
Essa postagem acabou ficando um bocado maior do que eu tinha planejado a princípio... Oh, well, espero que algum de vocês tenha tido a paciência de chegar até aqui - e que tenham gostado, principalmente! Seguindo o meu próprio conselho, vou ali ler um pouquinho...

Vocês também jogam ou já jogaram The Sims? Também toca de alguma forma? Me contem nos comentários!

VOA, LIBELINHA,
VOA 🙙