02/12/2017

K. Flay: melancolia viciante

Há alguns meses, meu melhor amigo me mandou o link de uma música no YouTube dizendo que era a minha cara - tanto a letra, quanto a vibe. Bem, ele estava terrivelmente certo. E, como alguns de vocês talvez já saibam pelas minhas outras postagens musicais, quando eu apaixono por um artista eu apaixono mesmo: no nível de só ouvir aquilo repetidas vezes por dias, às vezes semanas. Talvez o fato de eu saber até mesmo a ordem das músicas do álbum Every Where Is Some Where, da K. Flay, indique que eu gostei dela um bocado... E quando finalmente dediquei um tempo para pesquisar sobre a cantora, sua carreira e as letras de suas músicas, não teve como: precisava falar sobre ela aqui!

Em resumo...

Kristine Meredith Flaherty, nascida junho de 1985 em Wilmette - Illinois, é conhecida profissionalmente como K. Flay e começou sua carreira em 2003 com o objetivo de mudar o cenário do hip-hop - que ela acreditava (e eu concordo) ser simplista e misógino. Lá no início, ela escrevia e produzia suas músicas sozinha no computador e aos poucos foi ganhando espaço na música local. Seu primeiro disco,  Life as a Dog, foi lançado de forma independente em 2014 e K. Flay saiu em uma turnê pelo mundo para divulgá-lo, fazendo um grande sucesso. Em 2016, ela assinou com uma produtora e lançou o EP Crush Me, com a música Blood In The Cut - que apareceu na trilha sonora de xXx: Reativado BoJack Horseman. A cantora define o seu som como desafiador de gêneros, contendo componentes de lo-fi pop, hip hop e indie em suas músicas. O álbum Every Where Is Some Where foi lançado em abril de 2017 - e é dele que vamos falar aqui!
Para informações mais completas, visite a Wikipedia

Every Where Is Some Where

Eu, neurótica que sou, simplesmente não consigo ouvir um álbum sem começar a pensar em milhares de teorias sobre ele - imagino que tenham percebido com a série de postagens sobre Cry Baby, de Melanie Martinez. Então é claro que, ao invés de só curtir as músicas estupidamente boas, meus neurônios ficariam super agitados tentando encontrar algum sentido, algum significado: e, supostamente, eu encontrei. Acontece que o pai de K. Flay faleceu quando ela tinha 14 anos, em 1999, e a maioria de suas músicas são um tributo a ele - eu acredito que, em Every Where Is Some Where a artista está revelando muito sobre seu difícil processo de luto. Recomendo escutarem a playlist enquanto eu destrincho um pouco do álbum para vocês no resto da postagem:


Em Dreamers, por exemplo, ela está pensando sobre sua vida e o que teria feito diferente - quando ela percebe que as memórias de seus erros a faziam sorrir. Em uma parte da música, ela diz: "eu entrei com um suor frio e o nariz sangrando me sentindo sem esperança / pensei que talvez eu estivesse morta até que peguei minha caneta, sentei e escrevi isso / de repente eu me senti bem em uma mente tão cheia de fantasmas / as noites mais escuras significam que você vê mais estrelas". Eram tempos difíceis, ela estava se sentindo desamparada e a música foi a forma que ela encontrou de lidar com todo aquele turbilhão de sentimentos.

Giver


Em Giver, percebo que ela começa a perder um pouco do controle sobre a situação: "eu tenho tanta alma no meu corpo / mas ninguém está me mantendo nos trilhos / e dias inteiros viram buracos em minha mente / eu tenho esperanças altas , muito potencial / estou chapada, quebrada, procurando por símbolos / e eu não vou abrir mão do que é meu". Blood In The Cut mostra ainda mais claramente quão desamparada ela se sente: "acho que sou contagiosa, seria mais seguro se você corresse / porra, é o que todos eles fazem no final" - e a letra ainda faz uma conexão com uma parte do videoclipe de Giver quando ela fala "ultimamente, e tenho matado todo o meu tempo / lendo as suas mensagens, meu jeito preferido de morrer".
Em Champagne, a quarta música do álbum, depois de encher a cara, ela diz: "eu tenho o demônio na minha cabeça, mas anjos nadando no meu sangue" e uma das frases que acho bem fortes: "multidões vestindo apenas coisas pretas mas todos agimos como se fôssemos tão diferentes / mas todo mundo sangra, certo?". Ela fala ainda que todos se esforçam para parecer bem, mas todos têm pedaços faltando - e que ela queria pelo menos algum remédio que a fizesse não sentir nada. Quase no final, ela ainda diz: "tentei ligar para o meu papai mas ele morreu há uma década, então estou bebendo como uma viciada até estar com uma dor de cabeça fudida".


High Enough


High Enough foi a primeira música que ouvi da K. Flay. Considerando a história, eu diria que aqui ela encontrou um carinha que levou ela pra um caminho ainda mais pesado do que o do álcool: "eu gostava de licor para me deixar inspirada / mas você é tão bonito, meu novo fornecedor / eu costumava fumar para parar todos os pensamentos / mas achei uma onda diferente / o mundo é uma maldição e vai te matar se você deixar / eu sei que eles tem pílulas que podem te ajudar a esquecer / eles as engarrafam e chamam de remédio".

Black Wave


Aparentemente, depois de um período muito ruim marcado com Black Wave, K. Flay se aproxima mais da família e talvez de alguém em especial (em Mean It) porém os efeitos colaterais de uma fase conturbada estão muito presentes em Hollywood Forever: "estou me escondendo de espelhos / estou com medo de sexo / deprezando a minha imagem / estou iluminada e ligeiramente obcecada". The President Has a Sex Tape traz um tanto de crítica social, especialmente para a questão dos medicamentos que são vendidos irrefletidamente pelo governo. As últimas três músicas do álbum, It's Just a Lot, You Felt Right to Me e Slow March carregam até mesmo uma sensação diferente: é como se ela estivesse finalmente se recuperando de toda aquela bagunça, colocando a cabeça no lugar e finalmente olhando para o futuro com alguma esperança de que tudo dê certo. Eu espero que sim ♡
Bem, é claro que são tudo teorias e nada impede que toda essa história seja sobre algum alter-ego da artista - o que é muito mais provável. Não levem literalmente demais, só curtam a música e tentem ir além do ritmo e da harmonia. Espero que você tenham gostado dessa postagem e, se quiserem ver mais coisas nesse estilo "teorias da conspiração" (haha) por aqui, me contem nos comentários!

VOA, LIBELINHA
VOA 🙙