Destaques

Newsletter

03/01/2019

Steampunk: ficção científica do século XIX produzida no século XXI

E se grandes avanços tecnológicos tivesse sido feitos há muito tempo, quando o motor a vapor ainda era o principal meio industrializado de produção de energia e movimento? Esse é o mote do steampunk, um movimento que nasceu na literatura e rapidamente conquistou as mais diversas mídias. Também conhecido como vapor punk ou tecnavapor (abreviação de "tecnologia a vapor"), o steampunk surgiu com um subgênero da ficção científica que se consolidou entre as décadas de 1980 e 1990.
Foto por: Muffin_elfa em Foter.com / CC BY-NC
As raízes do steampunk remetem ao cyberpunk, uma ramificação da ficção científica que abarca a existência de universos paralelos futurista e uma tecnologia infinitamente superior à que seria encontrada na época retratada. O grande diferencial no estilo é justamente na forma como a tecnologia se desenvolve: nas histórias steampunk, a eletricidade fica em segundo plano enquanto a tecnologia à vapor se torna o grande invento do homem, afetando os caminhos pelos quais segue a humanidade. Cientistas e engenheiros criam diversas bugigangas, de uso militar ou civil, enquanto a arquitetura e o estilo de vida abusam de engrenagens e estruturas metálicas em sua composição ⎼ a tecnologia mecânica a vapor teria evoluído até níveis inimagináveis, com a construção de automóveis, aviões e até mesmo robôs. Os enredos costumam envolver várias sociedades secretas e teorias conspiratórias, geralmente possuindo algum acréscimo de fantasia.

As primeiras engrenagens

A literatura, como o primeiro meio de divulgação do estilo, abrigou romances de alta qualidade e autores renomados. O autor francês Julio Verne foi um dos precursores desse tipo de ficção especulativa, com as fantásticas obras "Volta ao Mundo em 80 Dias", "20.000 Léguas Submarinas" e "Viagem ao Centro da Terra" ⎼ cujas tecnologias impossíveis para a época, como trens velozes, submarinos e potentes escavadeiras, proporcionaram aos homens acesso a lugares extraordinários como o fundo do oceano e o núcleo do planeta Terra. Mas é importante lembrar que o estilo não começou com o autor nem é produto deste: vários autores começaram a escrever enredos futuristas ambientados na época em que viviam, na era vitoriana, período britânico do governo da Rainha Vitória (1837-1901): aos poucos, o gênero foi se consolidando e ampliando as épocas e gêneros em que a estética se aplica.
Foto por: The Creaking Door em Foter.com / CC BY-NC-ND
Outras figuras conceituadas da literatura trazem marcas do estilo em algumas de suas obras, como Arthur Conan Doyle (da série Sherlock Holmes), Charles Dickens (de "Oliver Twist"), H. G. Wells (de "Guerra dos Mundos"), Mark Twain (de "As Aventuras de Tom Sawyer") e Mary Shelley (de "Frankestein"). Podemos também citar outros autores, mais contemporâneos, como Brian Selznick (de "As Invenções de Hugo Cabret"), Lev Ac Rosen (de "Sociedade dos Meninos Gênios") e Philip Pullman (da série "Fronteiras do Universo"), que trabalham elementos do steampunk em seus enredos.

À todo vapor
Há quem diga, ainda, que o filme "Viagem à Lua", produzido por Georges Mélies em 1902, foi também uma das grandes inspirações do gênero. Embora as bases mais fortes do steampunk se encontrem na literatura, outras plataformas foram essenciais para a sua popularização. No cinema, o estilo foi retratado como temática central ou meras referências em grandes sucessos de bilheteria com elencos compostos por grandes nomes da indústria. 
Alguns dos filmes que podem ser citados para mergulhar no estilo são: "A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça" (1999), "A Liga Extraordinária" (2003), "Capitão Sky e o Mundo de Amanhã" (2004), "Desventuras em Série" (2004), "O Castelo Animado" (2004), "Van Helsing" (2004), "O Grande Truque" (2006), "A Bússola de Ouro" (2007), "A Invenção de Hugo Cabret" (2012), "Victor Frankestein" (2015).
A Invenção de Hugo Cabret (2012)




Até mesmo os jogos embarcaram nesse estilo, apresentando personagens, cenários e armas com visuais marcadamente steampunk. Um dos primeiros jogos a usar essa temática como pano de fundo foi "The Chaos Engine", em 1993. Entre os anos 90 e 2000 muitos jogos se apropriaram de elementos do estilo, mesmo que não sejam necessariamente do gênero ⎼ um bom exemplo é a tecnologia utilizada em muitos jogos da franquia Final Fantasy.
Como representantes do movimento steampunk no mundo dos jogos podemos citar como destaque nos anos 2000 o RPG de Playstation 2 "Dark Cloud 2" e "Bioshock". A partir de 2010, entram em cena "Alice: Madness Returns", "Dishonored" e "The Order: 1886", entre outros.
Ascent: Infinite Realm (MMORPG)

Fogo na caldeira!

O steampunk não se limita ao mundo ficcional. O gênero tem fãs tão fieis que alguns estados do Brasil (como Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro) possuem conselhos organizados que promovem encontros recheados de diversas atividades aos fãs: desde discussões sobre obras até a produção de artesanato com base no estilo ⎼ tudo isso devidamente caracterizados como integrantes desse universo, claramente.


As roupas do steampunk são, costumeiramente, baseadas na moda dos anos 1800. Os homens normalmente se apresentam com vestimentas formais, como ternos e sobretudos, enquanto as mulheres usam longos vestidos, espartilhos e babados em excesso, sendo o couro um componente fundamental do visual. Cartolas, bengalas, óculos estilo aviador e relógios de bolso são os acessórios mais comuns, sendo todo o figurino apresentado em tons de marrom, bege, branco envelhecido e dourado.
Foto por: Marianna Insomnia
Ufa! Vocês ainda estão aí? Existe muito conteúdo do movimento steampunk e eu espero que vocês tenham conseguido sentir pelo menos um gostinho. O que vocês acharam do estilo? Já conheciam alguma obra com esses elementos? Me contem nos comentários!

VOA, LIBELINHA
VOA 🙘

Postagem original em 14/01/2014. Atualização em 03/01/2019.

Comentários via Facebook

@literalize.se

© Literalize-se – Tema desenvolvido com por Iunique - Temas.in